Cassel nega repasses ilegais ao MST
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terça-feira, 13 de outubro de 2009
Rosa Costa e Carol Pires<BR>Agência Estado 
Brasília - Contrariando dados do Tribunal de Contas da União (TCU), cujas auditorias identificaram repasses federais a 43 entidades ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel, negou ontem a existência dessas transferências, em audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura do Senado. Para o ministro, as críticas contra a entidade se devem ao ''ambiente de criminalização dos movimentos sociais, que vem crescendo nos últimos dias''. ''Temos de superar esse instinto persecutório contra o MST, que não ajuda em nada'' disse.
Cassel não respondeu sobre quem patrocina as ocupações de terra do MST. E sugeriu que a pergunta seja feita ao próprio movimento. ''O MST não é financiado pelo governo federal, não existe nenhuma comprovação disso, apesar de ser repetido insistentemente, não é real''. ''Tem que perguntar isso para o MST.''
O ministro se referiu à CPI mista que vai investigar os repasses federais a entidades tidas como ''braços do MST'' como sendo ''um tema do Congresso'', mas insinuou que a investigação pode se transformar em ''perseguição política''. ''Tem de investigar tudo; se existem dúvidas, tem de investigar, o que não é correto é fazer disso um instrumento de perseguição política''. ''É um tema do Congresso, não cabe a um ministro dizer se é legítimo ou não (a CPI)'', disse Cassel, que afirmou não temer a CPI.
CPI - A bancada ruralista do DEM deve esperar até o fim desta semana para protocolar o pedido de criação da CPI mista. Os signatários do documento, deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) e a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), já possuem as assinaturas necessárias, mas desistiram de registrar o documento hoje (13) temendo que o governo pressione os parlamentares a retirar o apoio e a CPI mista seja enterrada.
''A CPI vai acontecer. Por isso estamos com todos os cuidados para enfrentar a máquina que o governo tem. O governo é poderoso, principalmente quando estamos diante de um governo que nunca teve limite pra enfrentar situações onde ele tenha margem de manobra entre os parlamentares'', explicou Lorenzoni.
O deputado ruralista ainda rebateu a afirmação de Cassel sobre os repasses. ''Na verdade, o governo falseia com a realidade. Inclusive instituições que já foram condenadas saem de um Ministério e vão pra outro ou saem dos Ministérios e vão pras estatais. O que a CPI mista vai fazer é rastrear isso. A informação que a CPI vai apurar é a verdadeira, sem a maquiagem que o governo recorre de jogar de um Ministério para outro'', disse o deputado.


