Casseb admite erro ao comprar ingressos para evento do PT
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quarta-feira, 28 de julho de 2004
Agência Estado 
Brasília - O presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, admitiu ontem que a instituição errou ao comprar R$ 70 mil em ingressos do show que a dupla Zezé Di Camargo e Luciano realizou na capital federal para angariar fundos para a construção de uma nova sede do Partido dos Trabalhadores. Ele disse que, ao perceber que ''atrás desse show existia um partido político, existia o PT'', o banco deveria ter devolvido os ingressos.
No mesmo dia em que denúncias publicadas na imprensa provocaram uma baixa no Banco Central, com a demissão do diretor de Política Monetária, Luiz Augusto Candiota, Casseb adotou uma estratégia de defesa diferente. Saiu de seu gabinete e, pessoalmente, deu sua versão sobre esse episódio do show e sobre o fato de ter sido seguido por espiões da empresa americana Kroll, em meio à disputa entre a Telecom Itália e a Brasil Telecom. No entanto, não permitiu que lhe fossem feitas perguntas.
Casseb disse que, na condição de presidente do Banco do Brasil, assumia ''inteiramente'' a responsabilidade pela aquisição dos ingressos para o show do PT. Explicou que do ponto de vista formal, a compra ''foi algo à prova de qualquer questionamento.'' No entanto, ponderou: ''Não deveria ter sido feito? Acho que não.'' Casseb informou que remeterá a documentação ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas da União (TCU), antes mesmo de ela ser requisitada. Segundo o presidente do BB, a churrascaria Porcão, onde foi realizado o evento, é cliente do banco. No entanto, avaliou Casseb, ao constatar que o show beneficiaria o PT, os ingressos deveriam ter sido devolvidos. Ele esclareceu que não tomou nenhuma providência pessoalmente porque estava em férias.
Ele negou ainda ter dado tratamento privilegiado à Telecom Itália, na disputa pelo controle da Brasil Telecom. Casseb foi integrante do conselho da empresa italiana antes de trabalhar no governo federal, mas foi espionado pela empresa americana Kroll nos últimos anos, na investigação pedida pela operadora de telefonia brasileira. ''Já não tinha nenhum vínculo com a Telecom Itália quando vim para cá, não tenho nenhum interesse na companhia, nenhum relacionamento com eles'', afirmou.


