Curitiba - Dois políticos que tiveram seus mandatos na Assembleia Legislativa do Paraná cassados pela Justiça Eleitoral, no primeiro semestre, querem voltar à vida pública nas eleições de 2010. Geraldo Cartário (PDT) e Carlos Simões (PR) têm expectativa de conquistar um mandato eletivo no próximo pleito. Cartário cogita disputar uma vaga de deputado estadual ou até de deputado federal. Nos bastidores, corre ainda que Simões pensa em disputar pelo PR o pleito ao governo do Estado.
O motivo da cassação dos ex-parlamentares é semelhante e está relacionado à campanha eleitoral de 2006. Cartário foi cassado por abuso de poder político e econômico durante aquela campanha eleitoral, quando ainda estava no PMDB. Ele foi eleito com 61.758 votos. A ação contra o ex-peemedebista sustenta que o então candidato tirou proveito eleitoral da sua rádio e também da ''Casa da Amizade'', escritório mantido por ele, para fazer doações, em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba.
Além de ver seu registro de candidatura cassado - o que no caso do político eleito significa, na prática, perda do mandato -, Cartário também se tornou inelegível por três anos. Mas, considerando que o motivo da cassação tem ligação com a campanha eleitoral de 2006, realizada em outubro daquele ano, Cartário deixou de ficar inelegível agora, no início do mês.
Em entrevista à Reportagem, Cartário afirmou que sua cassação ''não atrapalhou'' sua vida pública. ''Continuo atendendo a população do mesmo jeito. A cassação, para mim, até rendeu votos. Porque eu não fui cassado por roubo, estelionato, não cometi nenhum crime. Não comprei voto de ninguém. Sou amigo do povo e o povo é meu amigo'', disse ele. Segundo o pedetista, as regras eleitorais no Brasil são ''rígidas''. ''O povo não é idiota. Eles não vão votar no candidato só porque ele ofereceu uma festa, deu caneta, boné'', afirma ele.
Cartário declara ainda que é a favor do projeto de lei complementar, de iniciativa popular, que impede a candidatura de políticos ''fichas sujas'', ou seja, aqueles que já foram condenados pelo Judiciário, mas o pedetista faz uma ressalva: ''Desde que a condenação tenha sido baseada numa ação movida pelo Ministério Público''. ''No meu caso, por exemplo, quem entrou contra mim na Justiça Eleitoral foi um adversário meu em Fazenda Rio Grande'', acrescentou ele. A proposta contra os ''fichas sujas'' foi protocolada mês passado no Congresso Nacional.
Cartário foi substituído na Assembleia Legislativa do Estado por Ademir Bier (PMDB). Já a cadeira de Carlos Simões foi ocupada por Neivo Beraldin (PDT). Na campanha eleitoral de 2006, Simões foi eleito pelo PTB com 32.138 votos.
Simões foi condenado pela Justiça Eleitoral, por abuso de poder econômico, porque teria se beneficiado eleitoralmente da ''Casa do Povo'', escritório mantido por ele e por seu irmão Íris Simões, ex-deputado federal, no Centro de Curitiba. No local eram feitas doações de dentaduras, cadeiras de rodas, remédios.
Os irmãos Simões também tinham um programa na televisão, no qual eram veiculadas propagandas da ''Casa do Povo''. O Ministério Público Eleitoral, autor da ação que resultou na cassação de Simões, sustenta que o programa na televisão teria ainda ''potencializado'' o uso eleitoral das doações. Íris Simões não conseguiu se reeleger deputado federal em 2006.
A Reportagem tentou falar com Carlos Simões, na tentativa de confirmar os rumores em torno da sua candidatura em 2010, mas ele não atendeu ao telefone. Além de ter sido cassado, Simões também responde a um outro processo, por crime de peculato, no Tribunal de Justiça do Paraná. O ex-parlamentar foi denunciado porque teria desviado salário de uma funcionária ''fantasma'' da Assembleia Legislativa do Estado, entre 17 de junho de 1999 e 17 de maio de 2000.

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