Cassado pela Câmara Municipal por unanimidade na última sexta-feira, o ex-prefeito de Prudentópolis (Sudeste), Gilvan Agibert (sem partido), se disse "surpreso e indignado" com a decisão do Legislativo. Em entrevista concedida ontem à FOLHA – a primeira desde fevereiro, quando foi preso em flagrante em Curitiba por suposto recebimento de propina de um empresário do setor de recolhimento de lixo, o político negou ter recebido vantagem indevida, que houvesse corrupção em sua administração e afirmou ter sido traído pelos vereadores.
Agibert é acusado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Guarapuava, que deflagrou em fevereiro a Operação "Caçamba", de ser o líder de uma quadrilha que desviava recursos da prefeitura. O ex-prefeito chegou a ficar preso cinco dias, mas obteve habeas corpus do Tribunal de Justiça (TJ ) do Paraná. Em seguida, a Câmara instaurou uma Comissão Processante (CP), que concluiu pela responsabilidade do então prefeito, que acabou cassado por infração político-administrativa.
A sessão de cassação começou às 13h30 de sexta-feira e terminou por volta das 20 horas. Agibert não compareceu. Seu advogado, Luciano Reis, encarregou-se do discurso de defesa, por cerca de 1h50. Três vereadores citados como envolvidos nos supostos desvios foram substituídos pelos suplentes. "Foi uma precaução para evitar nulidades", justificou o presidente do Legislativo, Júlio César Makuch (PSD). O vereador disse que Agibert tinha a maioria na Câmara – inclusive ele próprio, Makuch, mas, diante das "denúncias graves", os 13 resolveram apoiar a cassação. "Não havia condições mínimas de governabilidade. As denúncias eram muito graves."
Com a cassação, assumiu o mandato definitivamente o vice-prefeito Adelmo Klosowski (PPS). Esta foi a segunda vez que a Câmara de Prudentópolis cassou o mandato de um prefeito. O primeira foi em 2004, quando Nelson Dal Santos perdeu o mandato. Ele também teria cometido desmandos na administração municipal. "Mais uma vez, a Câmara não se omitiu. Demos respostas à sociedade."

DEFESA

Agibert exercia o segundo mandato de prefeito – foi reeleito em 2013 – e já havia sido vereador em duas legislaturas. Segundo ele, pelo menos outros quatro membros de sua família já foram prefeitos da cidade. "(A cassação) é uma humilhação. Tenho 14 anos de vida política, familiares com tradição na cidade, cinco prefeitos na família. Isso atinge minha história, minha reputação, minha vida, minha família."
Questionado sobre quem o teria traído, Agibert disse que responde "processos por improbidade administrativa por ter ajudado alguns vereadores". "Não é nada grave, mas ajudei muitos vereadores. Era gente que estava todo dia comigo, indo ao gabinete", afirmou, sem revelar nomes. "Estava tudo organizado, tudo armado. Estavam com pressa de cassar meu mandato." Sem revelar detalhes, Agibert, que está sem partido após ter sido expulso do PPS, em razão da prisão e das investigações, disse que estuda uma "delação" ao Gaeco.
Sobre as irregularidades apontadas pelo Gaeco em sua administração – ele é acusado de 23 crimes e de liderar uma quadrilha formada por empresários, servidores e dois vereadores para desviar dinheiro público, o ex-prefeito negou. "Tudo isso será provado." A denúncia contra Agibert ainda está no TJ, mas deve retornar à primeira instância porque, com a cassação, perde o foro privilegiado. Ele negou também que tenha recebido propina na data de sua prisão em flagrante. Afirmou que, de fato, estava com R$ 20 mil, mas que o dinheiro lhe pertencia e era para pagar advogados na capital. "Eles inclusive já tinham feito os recibos para mim." Afirmou ainda que não tem conta bancária "porque devo mais de R$ 1,5 milhão ao banco". "Se eu estivesse desviando ou recebendo propina, eu teria essa dívida?"
O ex-prefeito disse que seus advogados devem questionar judicialmente a legalidade da sessão de cassação assim como já impetraram mandado de segurança contra os trabalhos da CP.

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