Cassação de Delcídio deve ser votada amanhã no Senado
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domingo, 08 de maio de 2016
Mariana Haubert e Débora Álvares<br>Folhapress 
Brasília - A cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) deve ser votada no plenário do Senado amanhã, véspera da sessão que decidirá sobre a admissibilidade do impeachment e o consequente afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República.
Como revelou a Folha de S.Paulo, a presidente tem pressionado Renan a pautar a votação da cassação de Delcídio antes da apreciação da admissibilidade do impeachment porque ela não quer ter entre seus algozes alguém que foi líder do seu governo no ano passado. Delcídio já declarou publicamente sua intenção de votar pelo impeachment.
A previsão de que a votação deve ocorrer amanhã foi feita pelo próprio Renan. Marcada inicialmente para a última quinta-feira, a apreciação, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da cassação do ex-petista foi transferida para hoje, a fim de dar mais uma chance a Delcídio de se defender e não abrir espaço a questionamentos. O parecer que recomenda a perda do mandato já foi aprovado no Conselho de Ética da Casa.
Na quarta-feira, a defesa de Delcídio pediu à CCJ que o congressista fosse interrogado pela comissão e que a votação sobre o parecer relativo à sua cassação também não ocorresse na quinta.
Na petição, os advogados do senador argumentaram que só foram intimados a respeito da apreciação naquela tarde, enquanto a legislação de tribunais superiores determina que seja respeitado um prazo mínimo de 48 horas entre as citações e as sessões de colegiados. Sob esse argumento, disseram que não compareceriam à sessão de quinta.
O relator do caso no colegiado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), apresentou na quarta parecer pela continuidade do processo.
Delcídio ocupou o posto de líder do governo até ser preso em 25 de novembro. Após o episódio, ele relatou a interlocutores ter se sentido abandonado pelo PT e pelo governo, que condenaram suas atitudes.
Uma conversa sua com Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, foi gravada e entregue à Justiça. Nela, Delcídio oferecia ajuda à família e traçava um plano de fuga para o pai de Bernardo como forma de convencê-lo a não contar o que sabia sobre os esquemas de corrupção da Petrobras.
Após a prisão, Delcídio admitiu envolvimento no petrolão e fechou acordo de delação premiada, implicando 74 pessoas no esquema. Solto em 19 de fevereiro, ele já poderia ter retomado os trabalhos no Senado, mas tirou várias licenças e até hoje não retomou o exercício do mandato.


