Para entender a cassação do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) é preciso ligar alguns fatos dos bastidores. Não foi por acaso que, pela primeira vez, nos 111 anos da República, o Senado cassou um de seus membros. Apesar do clima de velório após a votação, pelo menos um dos senadores saiu vitorioso: justamente o presidente Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Ele tinha duas quedas de braço: uma com Jáder Barbalho (PMDB-PA) – que fez de tudo para conquistar votos em favor de seu corregelionário –, e outra com o Judiciário. Com o desfecho, ele matou dois coelhos com uma cajadada: cassou Estevão e estragou a imagem do Judiciário, pois além dos desvios de recursos na construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, o principal envolvido, o juiz Nicolau dos Santos Neto, virou um foragido.
O novo round será a disputa pela presidência do Senado. Jáder, como presidente do PMDB é candidatíssimo, mas ACM não quer passar o cargo para seu inimigo. Ele tem investido no nome do moderado ex-presidente José Sarney.
A bola da vez é Luiz Otávio, um ilustre desconhecido e sem partido do Pará, inimigo de Jáder. É natural que ele use seu poder de fogo para cassar Otávio e atingir ACM. Mas há um porém: se Jáder pressionar nas comissões contra Otávio, ACM certamente forçará investigações contra Valmir Amaral, suplente de Estevão que deve assumir em agosto, mas suspeito de irregularidades. Como Valmir também é do PMDB, Jáder deve pensar duas vezes.

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