'Caso Vale' adia aliança no Paraná
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segunda-feira, 06 de maio de 2002
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O PFL do Paraná vai adiar a formalização da aliança com o PSDB no Estado, que poderia ter ocorrido ontem durante reunião da executiva estadual em Curitiba. Antes, o primeiro escalão do partido vai consultar o governador Jaime Lerner e o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi. A denúncia da revista Veja, acusando o economista e arrecadador de recursos da campanha do presidenciável José Serra (PSDB) ao Senado, em 1994, Ricardo Sérgio de Oliveira, de cobrar propina no processo de privatização da Vale do Rio Doce, fez os pefelistas do Paraná pensarem duas vezes.
A decisão da executiva, tomada ontem pela manhã em Curitiba, pode ser interpretada como uma derrota para a bancada estadual, que tem pressa no fechamento da aliança com o PSDB, e como uma sobrevida à pré-candidatura do deputado federal Rafael Greca e do ex-secretário do Desenvolvimento Urbano Lubomir Ficinski ao governo. Os dois brigam pela indicação, mas não têm o apoio de Lerner que prefere um tucano na cabeça de chapa. É hora de ter paciência, disse Greca. Segundo ele, é mais prudente aguardar o desenrolar dos acontecimentos envolvendo Serra.
O grupo tem que agendar as reuniões com o governador e o prefeito antes da próxima segunda-feira, quando pode sair a definição dos pefelistas paranaenses sobre coligações e candidaturas. Antes de a executiva deliberar, um grupo de cinco prefeitos será ouvido. Os cinco entre eles o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Joarez Lima Heinrichs querem, no mínimo, que a posição deles seja considerada. Os 85 prefeitos são responsáveis por 1,8 milhão de votos. Estamos descontentes com o partido, queremos respeito, resumiu Heinrichs, prefeito de Barracão.
O dirigente não adianta o tom do discurso programado para a próxima semana, mas ontem, em entrevista à Folha, deu recado: se não temos candidato para ganhar, queremos pelo menos respeito.
O apoio à candidatura de Beto Richa encontra maior respaldo entre a bancada estadual, que estava disposta a bater o martelo ontem. A reportagem da Veja deu fôlego para a ala que não aposta na decolagem de Beto Richa. Apesar do recuo, o PFL do Paraná deve tomar uma posição sobre a aliança que pretende selar no Estado antes do dia 6 de junho, quando a cúpula nacional do partido oficializa sua postura com relação à sucessão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).


