O delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, confirmou ontem a instauração de um inquérito para apurar a denúncia de que a empresa TCGL pagaria ''mensalinho'' a vereadores londrinenses. O procedimento é mais um dos desdobramentos legais dos depoimentos do ex-vereador Orlando Bonilha contra seus ex-colegas.
Ontem pela manhã, o delegado Alan Flore, fez a abertura dos malotes contendo agendas, documentos e um computador apreendidos durante quatro operações de busca e apreensão em estabelecimentos de propriedade do vereador afastado, Renato Araújo (PP). No depoimento aos promotores, Bonilha disse que Araújo poderia manter anotações dos valores recebidos pelos vereadores em uma de suas agendas.
O delegado confirmou ter encontrado uma anotação citando o valor de R$ 600 e disse que vai apurar se ela tem ligação com um empréstimo pessoal ou ato relacionado à Câmara. Flore disse que os demais ítens apreendidos ainda serão relacionados e só depois analisados.
O vereador afastado, Renato Araújo, esteve no Gaeco pela manhã e afirmou que a anotação trata de um empréstimo legal feito a Bonilha em ''2005 (ou) 2006''.''Emprestei, ele me pagou, como várias vezes fiz e troquei cheques para ele. Vários vereadores me pediam, 'não tem cenzinho, duzentos'? Na medida da minha possibilidade sempre socorri, não só vereador. Sempre tive esse coração de ajudar as pessoas'', atestou. Ao deixar o Gaeco, Araújo levou cópias das páginas da agenda deste ano, alegando a necessidade de checar compromissos, e a cópia de um boleto de IPTU. O vereador afastado e a TCGL negaram a existência do mensalinho.
O ex-vereador Orlando Bonilha disse ontem desconhecer o empréstimo citado pelo ex-colega. ''Não lembro disso não'', assegurou. (V.N.)

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