Curitiba - Seis das sete testemunhas de acusação arroladas pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), no processo que investiga suposto esquema de interceptações telefônicas ilegais, prestaram depoimento ontem no Fórum de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. Elas foram ouvidas pelo juiz Gaspar Luiz de Mattos Araújo Filho, na presença do principal acusado, o policial civil Délcio Augusto Rasera, e outros cinco co-réus, que também estão presos. Uma das testemunhas que mora em Paranaguá, no Litoral do Estado, não compareceu, pela segunda vez, e foi dispensada pelos promotores.
Entre os depoentes, cinco teriam tido os telefones grampeados por razões pessoais e um é o técnico em telecomunicações, que acompanhou os trabalhos de busca e apreensão dos equipamentos de interceptação realizada pela PIC. O nome das testemunhas e o teor dos depoimentos não foram divulgados, pois o processo tramita sob sigilo.
O advogado René Dotti, que acompanhou uma das testemunhas -uma promotora de Colombo-, passará a atuar no processo como assistente da acusação (prerrogativa de representante legal de vítimas em ação penal). ''Como cidadão não podemos aceitar que uma organização criminosa seja dirigida por servidor público'', declarou. Ele adiantou que deverá pedir, na próxima semana, o levantamento do sigilo por se tratar de um caso de interesse público. Dotti entende que as duas situações previstas em lei para propor sigilo no processo -problemas para a segurança pública e prejuízo à intimidade da vida privada- não se aplicam a esse caso.
O advogado de Rasera, Luiz Fernando Comegno, garantiu que apenas um dos casos de grampo -do telefone de uma promotora de Colombo- seria atribuído ao policial. Em seu entendimento, a acusação apresentou apenas uma testemunha -o técnico em telecomunicações-, já que as demais, na condição de vítimas, prestam depoimento como informantes. ''Elas não são testemunhas. São informantes e não prestam compromisso de dizer a verdade'', afirmou.
Comegno reiterou, ontem, o pedido de revogação da prisão de Rasera ao juiz de Campo Largo, que deve se manifestar até amanhã. A defesa do policial sustenta o argumento de excesso de prazo para a conclusão do processo. Por lei, o prazo seria de 81 dias e já se passaram 85 dias. O Ministério Público (MP) estadual, segundo a assessoria de imprensa, foi contrário à revogação. René Dotti também se opôs.
O advogado também reclamou da demora para juntada das provas, pois o MP ainda não remeteu ao Juízo a documentação apreendida. Comegno questiona, inclusive, a validade dessas provas, pois é a PIC quem está periciando o material. ''Quem colhe a prova não pode periciá-la'', acrescentou.
A próxima etapa do processo será o depoimento das testemunhas de defesa, mas a data ainda não foi marcada. Comegno disse que arrolou 24 testemunhas para Rasera e outras 16 para a mulher e os dois filhos do policial. Segundo ele, essas pessoas não têm ligação com o caso. Seriam apenas testemunhas referenciais.
Segundo informações do cartório criminal de Campo Largo, muitas testemunhas residem em outras cidades e o juiz ainda decidirá se serão ouvidas no Fórum ou por carta precatória.

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