As investigações do atentado contra o prédio da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Curitiba, ocorrido no dia 29 de dezembro, deverão ter uma semana decisiva. A expectativa da polícia, segundo a Folha apurou, é que o segundo tenente Alberto Silva Santos, um dos principais acusados pelo crime, siga o mesmo caminho do policial civil Edson Clementino da Silva, o ‘‘Lambe-Lambe’’, que confessou participação no atentado na madrugada de sábado em troca de benefícios previstos pela Lei de Proteção às Testemunhas.
A situação de Santos, no entanto, é mais complicada. Ele é acusado de roubo, cárcere privado – porque teria mandido o vigida da PIC amarrado em uma árvore –, destruição de patrimônio e documentos públicos. No último depoimento prestado pelo segundo tenente, na noite da última sexta-feira, ele disse que só iria se manifestar em juízo.
Os policiais do Divisão de Narcóticos (Dinarc) passaram toda a madrugada de ontem fazendo diligências em busca de provas que incriminariam o segundo tenente. Eles também estão à procura do Gol branco, que também seria de Santos e que foi usado no atentado. A expectativa é que o veículo contenha algum indício que ajude a polícia a elucidar o crime.
Outro acusado pelo atentado, o policial Mauro Canuto, deveria ser solto à meia-noite de ontem, quando venceu o prazo de 10 dias de prisão preventiva. A confissão de Lambe-Lambe teria praticamente descartado a participação do policial no crime. Já em relação a outro preso, o sargento Ademir Leite Cavalcante, a situação pode ser diferente. A polícia teria indícios que o colocariam novamente sob suspeita – por isso a tendência é que ele continuasse preso.
O avanço nas investigações foi possível graças ao depoimento de Lambe-Lambe, na madrugada de sábado, confessando a participação no crime. Segundo informou anteontem o delegado-chefe da Dinarc, Adauto Abreu de Oliveira, as informações iniciais levam a crer que o mandante do crime seria um ‘‘figurão’’ de Curitiba – sem revelar maiores detalhes.
Em seu depoimento, Lambe-Lambe disse que o segundo tenente o procurou oferecendo R$ 5 mil para participar de ‘‘uma ação’’. O policial disse que aceitou participar do negócio, mas que não sabia do que se tratava. Ele teria ficado encarregado de dirigir o carro de Santos até a sede da PIC, no bairro Alto da Glória, em Curitiba.
Ainda no depoimento ao delegado, Lambe-Lambe disse que ao chegar na sede da PIC buzinou para que o vigilante José Zetti abrisse o portão. Zetti pensou que eram policiais que davam proteção aos promotores, mas imediatamente foi rendido pelo segundo tenente Santos e pelo terceiro homem. O frentista do posto que abasteceu o carro e encheu os galões com o combustível usado no incêndio reconheceu os três, após sessão de hipnose.

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