Caso Osvaldo fica sem indiciamentos
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de novembro de 1998
Leandro Donatti 
A primeira fase das investigações envolvendo o trágico acidente de automóvel que matou em setembro deste ano perto de Ponta Grossa o ex-secretário estadual dos Esportes do Paraná e ex-diretor da Banestado Leasing Osvaldo Magalhães dos Santos está concluída. Nesta semana, a Justiça Criminal do município de Palmeira (40 km ao sul de Ponta Grossa, onde ocorreu o desastre e em cuja jurisdição se dá o inquérito processual) inicia a segunda fase dos procedimentos, encaminhando cópias do inquérito policial para a Promotoria da cidade, que dará um parecer. O caso da morte do ex-secretário ficou até o momento sob a responsabilidade da Polícia Civil.
O relatório sobre o inquérito foi assinado pelo delegado Itiro Hashitani no último dia 5. Hashitani foi designado pelo então delegado geral da Polícia Civil do Paraná, Artur Braga. O delegado não sugere o indiciamento de ninguém no caso, em razão da morte do agente (Osvaldo Magalhães). Mas afirma no seu relatório de três páginas que reuniu um conjunto probatório que não deixa dúvidas quanto à causa, forma e circunstâncias em que ocorreu o acidente. A Folha teve acesso à documentação, em Curitiba.
Duas perícias foram realizadas a pedido da Polícia Civil para o acidente. No exame do local do acidente - o Km 162 da BR-277 - os peritos Alberto Schechtel e Robin João Marczynski, do Instituto de Criminalística de Ponta Grossa, constataram que houve excesso de velocidade por parte do ex-secretário, que segundo o motorista João Agenor da Silva, com o qual ele colidiu, estava em alta velocidade. Ao atingir o trecho da rodovia, o carro fugiu do controle de seu condutor e invadiu a faixa de rolamento, diz o laudo.
O Instituto de Criminalística de Curitiba ficou com a responsabilidade de analisar o carro locado conduzido por Magalhães dos Santos. O Ômega 1997, de propriedade da Locave Locadora de Veículos Ltda, ficou destruído. As peritas Solange Santos Hirye e Joice Malakoski não conseguiram estimar a velocidade na qual o ex-secretário se movimentava, pela ausência de informações de natureza técnica como a energia dissipada na colisão, a posição relativa dos veículos na hora da batida, dentre outras.
Nesse laudo feito em Curitiba, a perícia registrou ainda que não havia avarias no sistema de direção, freio ou suspensão do carro. A leitura dos competentes eletrônicos (o computador de bordo é um deles), o que poderia identificar eventuais falhas no carro, também não pode ser analisada pelas peritas.
A General Motors do Brasil, fabricante do veículo utilizado por Osvaldo Magalhães do Santos, encaminhou ofício para o Instituto de Criminalística dando conta que nem o módulo de injeção eletrônica nem o computador de bordo possuem bateria permanente.
Assim, caso seja cortada a corrente elétrica, ambos os sistemas se resetariam simultaneamente, não sendo possível qualquer leitura ou diagnóstico de código de falhas. Como as unidades foram desmontadas, não há como obter as informações desejadas, mesmo porque com a informação de que houve incêndio após o choque, provavelmente esses componentes devem ter se danificado, diz o ofício assinado pelos gerentes Alexandre Franjão (Regional de Serviços) e Weslen Peres (Distrito de Serviço).


