Caso Marka leva Malan e Tereza a depor
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segunda-feira, 21 de maio de 2001
Gilse Guedes e Eugênia Lopes Agência Estado De Brasília 
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, e a diretora de Fiscalização do Banco Central, Tereza Grossi, vão nesta quinta-feira ou na terça-feira da próxima semana ao Senado explicar aos parlamentares os detalhes da operação de socorro financeiro aos bancos Marka e FonteCindam, em janeiro de 1999. Com esta estratégia, o governo quer evitar o desgaste e espera neutralizar o movimento da oposição em favor da inclusão, no requerimento de criação da CPI da Corrupção do Senado, da denúncia da revista Veja, de venda de informações pelo então presidente do BC Francisco Lopes.
A idéia é mostrar que o governo não tem nada a esconder e não deixar nada sem resposta, argumentou o presidente Fernando Henrique Cardoso, em encontro ontem à tarde no Palácio do Planalto com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PSDB-RR), e o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira. Com a ida de Malan e Grossi ao Congresso, o governo quer deixar claro que, em nenhum momento, sofreu qualquer tipo de chantagem. Se o governo soubesse de alguma coisa não nomearia o Chico Lopes, afirmou ontem o porta-voz da Presidência, Georges LamaziSre.
Segundo a matéria da Veja, a operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam só foi autorizada por Chico Lopes diante da ameaça do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, de revelar o esquema de venda de informações privilegiadas pelo ex-presidente do BC para instituições financeiras.
O Palácio do Planalto decidiu marcar a ida de Malan e Tereza Grossi ao Congresso depois de tomar conhecimento que a oposição pretendia convocar os dois para depor, em sessão conjunta, nas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Fiscalização e Controle, do Senado. Essa história do Malan vir para dar explicações tem o objetivo apenas de tentar abafar a CPI, afirmou o deputado José Genoino (PT-SP). Isso é um desrespeito ao Congresso, reagiu o petista.
Na opinião do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), a denúncia publicada pela Veja não traz grandes novidades. Idealizador da CPI do Bancos, que funcionou há dois anos, Barbalho argumentou que o caso Marka-FonteCindam foi investigado pela comissão e que está no âmbito do Ministério Público. Não justifica abrir uma outra CPI sobre um caso já apurado pela CPI dos Bancos, argumentou. Esta é a mesma opinião do Palácio do Planalto. O governo não tem interesse em ocultar nenhum fato em torno deste assunto, mas uma CPI sobre o caso seria repetitiva, disse LamaziSre.
Já para o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o caso Marka-FonteCindam precisa ser investigado. Este é mais um caso que deve ser apurado o quanto antes pelo governo, disse ACM. Mas, a um dia do julgamento do pedido de cassação de seu mandato pela Conselho de Ética do Senado, o pefelista fez questão de deixar claro que, por enquanto, não apóia o pedido de abertura de CPI. Isso não quer dizer, no entanto, que se houver um fato importante eu não venha a mudar de posição, observou ACM.
Hoje, os partidos de oposição na Câmara e no Senado reúnem-se para decidir a melhor estratégia para a instalação de uma CPI que englobe o caso Marka/FonteCindam. Desde a semana passada, a oposição começou a recolher assinaturas para tentar abrir uma CPI da Corrupção restrita ao Senado. O requerimento tem o mesmo texto do pedido anterior de instalação de CPI mista, que não vingou depois da interferência do governo na retirada de assinaturas de deputados. Vamos avaliar se é necessário ou não mudar o requerimento da CPI para incluir a denúncia da Veja, explicou o senador Paulo Hartung (PPS-ES).


