Curitiba - A Justiça Federal do Paraná acolheu ontem a quarta denúncia referente à Operação Lava Jato, e a primeira que cita o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ao todo, há 18 réus em ações ligadas à operação. A Polícia Federal (PF) indiciou 46 pessoas.
Costa tornou-se réu numa ação sob acusação de desvio de recursos públicos na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e também foi citado por prática de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
A ação penal aponta outras nove pessoas, mas a 13ª Vara Federal acatou a denúncia contra quatro (Antônio Almeida Silva, Márcio Andrade Bonilho, Murilo Tena Barros e Waldomiro Oliveira), alegando que os demais (Alberto Youssef, Leonardo Meirelles, Leandro Meirelles, Pedro Argese Júnior e Esdra de Arantes Ferreira) já são réus em outras ações sobre o mesmo tema.
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) do Paraná, a organização integrada por Costa "tinha por finalidade a prática de crimes de lavagem dos recursos financeiros auferidos de crimes contra a administração pública, mais precisamente com a Petrobras".
De acordo com o documento, Paulo Roberto e Alberto Youssef seriam os líderes do grupo criminoso e os principais responsáveis pela lavagem de dinheiro dos recursos desviados. Os demais teriam participação segundo as variadas etapas da lavagem. Um trecho do documento aponta que "os desvios ocorreram de 2009 até 2014, e se referem a quantias relacionadas ao pagamento de contratos superfaturados a empresas que prestaram serviços direta ou indiretamente à estatal, com a colaboração e intermediação de Costa". O MPF ainda lembra que a obra da refinaria, no município de Ipojuca (PE), estava orçada inicialmente em R$ 2,5 bilhões, teria alcançado atualmente o valor global superior a R$ 20 bilhões.

Transferência
Ontem à noite o juízo da 13ª Vara também autorizou a transferência de Paulo Roberto Costa para a Penitenciária Estatual de Piraquara II (PEP II), na Grande Curitiba, e determinou urgência. A decisão foi tomada devido a notícias que foram veiculadas dizendo que Costa estaria sofrendo "ameaças" na carceragem da PF, onde está preso desde 20 de março, por reclamar das condições de tratamento no local. Além disso, o juiz destaca na decisão sobre a transferência que "a carceragem é cela de mera passagem para presos provisórios e não é, de fato, adequada para permanência por longo período".
A defesa de Costa informou, por meio de nota, que está dirigindo petição ao juiz Sérgio Moro com pedido de reconsideração da decisão de transferir o ex-diretor da Petrobras para a PEP II. "Ao determinar essa transferência, o juiz torna real a ameaça da PF, relatada no bilhete escrito por Paulo Roberto no último fim de semana", afirma na nota, o advogado Fernando Fernandes. Segundo a defesa, o juiz não tomou nenhuma providência para assegurar os direitos fundamentais de Costa, preso desde o dia 20 de março. "Foi o juiz de plantão da primeira instância, durante o último feriado, quem assegurou o direito a banho higiênico e a banho de sol a Paulo Roberto Costa", completa a nota.
A Superintendência da Polícia Federal no Paraná informou que abriu dois procedimentos para apurar os fatos relatados pelo preso, um de cunho administrativo e outro criminal.
Já sobre a denúncia contra seu cliente, o advogado Fernando Fernandes informou também em nota que "não há indícios de que Paulo Roberto tenha recebido qualquer valor" enquanto era executivo da Petrobras. Para ele, "a denúncia é vazia e não traz nenhum fato específico".

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