Caso Herzog pode fazer Viegas deixar Ministério da Defesa
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quarta-feira, 20 de outubro de 2004
Folhapress 
Brasília - O ministro José Viegas (Defesa) admitiu ontem que, apesar de não estar ''motivado'', vai buscar informações nos arquivos do governo federal e do Exército para saber da existência ou não de documentos sobre a atuação repressiva das Forças Armadas durante a ditadura militar (64-85). ''Não tenho nenhuma motivação de ficar revolvendo estes casos do passado. Eles pertencem à história e devem ser analisados por historiadores e não fazem parte da preocupação imediata do ministro da Defesa'', afirmou, pela manhã, no Palácio do Planalto. Antes, passou pela Câmara, onde também tratou do tema.
Para Viegas, a única certeza que possui é sobre a incineração dos documentos referentes à guerrilha do Araguaia - movimento armado de integrantes do PC do B que atuou na divisa dos Estados do Tocantins (na época, Goiás), Pará e do Maranhão, entre 1972 e 1975. Os conflitos com as Forças Armadas começaram em 1972, mas somente três anos depois o foco guerrilheiro foi completamente destruído.
Em nota divulgada no último domingo, o Exército afirmou que a Defesa ''tem, insistentemente, enfatizado que não há documentos históricos'' que comprovem mortes durante as operações militares na ditadura. ''Esse foi um dos pontos em que a nota é muito infeliz. O Ministério da Defesa tem dito e continuo a dizer que não há arquivos oficiais referentes ao episódio da guerrilha do Araguaia (...) Eu não tenho dúvidas que eles foram queimados (...) Transformar essa afirmação em uma exoneração mais ampla com relação a outros episódios é absolutamente indevido, de maneira que isso não corresponde aos fatos.''
Ontem, em entrevistas, Viegas aproveitou para mais uma vez criticar o teor da primeira nota divulgada pela Força acerca de fotos inéditas que mostrariam o jornalista Vladimir Herzog antes de morrer sob custódia do Exército, em 1975. O laudo oficial da época apontou ''suicídio'' como a causa da morte.
Em conversas reservadas na manhã de ontem em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva julgou superada a crise. Apesar disso, o desgaste do ministro Viegas aumentou, o que eleva a possibilidade de ele vir a ser substituído na reforma ministerial que Lula pretende fazer após as eleições municipais.


