'Caso Gouvêa' esmorece na Corregedoria da Câmara
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Se para o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP) deve responder processo por suposto crime de corrupção passiva - passível, em caso de condenação, a prisão que varia de dois a 12 anos -, no Legislativo municipal o parlamentar deve enfrentar, no máximo, alguma sanção referente a ''conduta atentória ao decoro'', a qual, pelo Código de Ética da Casa, pode receber penalidade que vai da mera advertência à suspensão do mandato. A afirmação foi feita ontem pelo corregedor da Câmara, Rony Alves (PTB), que, pela primeira vez, admitiu que os elementos contra Gouvêa ''são bem fracos''.
O vereador do PRP foi denunciado pelo Gaeco, na última quinta-feira, na ação criminal em que foi acusado de tentar obter vantagem ilícita, e cooptar outros vereadores para tal, para que prosperasse, na Casa, o projeto ''Minha Casa, Minha Vida'', do Executivo. A suposta cobrança, que Gouvêa nega, teria sido contra o empresário Maurício Costa, da construtora que executa as 32 moradias do projeto.
Além do depoimento de Costa, a Promotoria ouviu também os vereadores José Roque Neto (PTB), Roberto Fortini (PTC) e Ivo de Bassi (PTN) - este, considerado autor do depoimento mais contundente ao afirmar ter ouvido de Gouvêa que alguma vantagem teria de ser tirada, decorridos já seis meses (a votação da matéria foi em junho) no posto. O vereador acusado atribui as declarações de Bassi a uma suposta disputa por nicho eleitoral na Zona Oeste da cidade.
Para o corregedor, ''não há provas contundentes'' contra Gouvêa a fim de sustentar uma acusação contra ele na investigação que transcorre no órgão. ''Por ora, são só vereadores falando que ouviram o Rodrigo falar em vantagem, não há absolutamente nada de concreto - está muito 'fraco''', admitiu Alves, para quem o vereador deve responder por atos atentatórios ao decoro. Se o parlamentar receberá uma advertência? ''É o que sinaliza, mas pode ser que amanhã ou depois apareçam outras provas, não sabemos'', afirmou. O petebista calcula que o procedimento seja concluído até a próxima terça-feira.
Paulo Arildo
Já o vereador Paulo Arildo (PSDB), acusado pelo MP de se apropriar indebitamente de parte dos salários de quatro ex-assessores, retornou ontem à Casa - e à vaga de primeiro secretário da Mesa - graças à suspensão, pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), da liminar da 10 Vara Cível que o afastara do cargo no último dia 14. Pelo processo que corre na Corregedoria em relação a Arildo, será expedida amanhã notificação para que o vereador apresente defesa. ''Vamos chamá-lo para ser ouvido, mas queremos também que ele apresente documentos comprovando a versão dele de que não houve racha-salário, mas sim, empréstimos aos ex-funcionários'', adiantou o corregedor.


