24 de junho de 2004. Londrina é sacudida pelo assassinato do empresário Ciro Frare, então com 67 anos, morto com cinco tiros numa sala da concessionária Cipasa. O autor do crime: Ibrain Barbino, 58, gerente e homem de confiança da vítima. Três anos depois, a família de Frare se diz decepcionada com a demora da Justiça.
  O homicídio reservou lugar na história: empresário prestes a descobrir fraude é morto pelo homem que conhecia há quatro décadas. Um dia depois do crime, o autor confesso vai à Justiça, entrega a arma que usou e não é preso.
  O advogado da família da vítima, Walter Bittar, diz que o juiz da 1ª Vara Criminal em Londrina, João Cléve Machado, errou ao liberar um criminoso confesso. Barbino foi preso em março de 2006, permanecendo 20 dias na prisão.
  Nesta semana, a Justiça cível condenou Barbino a pagar as despesas do funeral (R$ 15 mil), mais R$ 16 mil mensais à viúva desde a data do crime até que o empresário completasse 80 anos, e outros mil salários mínimos por danos morais aos dois filhos do casal.

  Como a família vê a lentidão do processo criminal?
  A família está revoltada. A esposa cobra de mim, questionando se em Londrina não tem Justiça. O processo de homicídio está encerrado, mas a auditoria na empresa constatou desvio de dinheiro. Por serem conexos, o Código Penal exige que os processos sejam julgados juntos. Faltam ser ouvidas testemunhas de acusação no caso da auditoria.

  A auditoria comprovou que...
  Barbino não desviou dinheiro simplesmente, não sacou R$ 3,7 milhões. A auditoria apurou erro na contabilidade. Descobriu-se que algumas alterações eram feitas com o intuito de aumentar os lucros (Barbino recebia participação nos resultados). O Frare não vinha para Londrina porque confiava nele. E quando veio, não desconfiava do Barbino, mas queria ver o que estava acontecendo. Perceberam que ele iria descobrir.

  A fraude foi a motivação?
  Não sei. A versão do Ibrain é que o Ciro o acusou de montar caixa 2 para concorrer à Prefeitura como vice-prefeito. Nessa discussão, ele teria ofendido e ameaçado o Ibrain. E aí, o Ibrain vai até sua sala e abre a gaveta, pega o revólver, volta à sala, os dois discutem e ele dá cinco tiros. Ninguém ouviu a discussão. Não tem nada disso. Ele inventou uma história para justificar. Se ele fez por raiva, ambição ou para esconder provas, ele é quem vai ter que explicar.

A fuga de Ibrain após o crime e sua apresentação um dia depois interferiu na acusação?
  Quando Ibrain se apresentou, o doutor João Cléve deveria tê-lo prendido. Ele não o fez e o flagrante acabou. Como a Lei brasileira autoriza a prisão preventiva somente em casos de comoção social, ameaça às ordens pública e econômica, e falta de endereço fixo, o Tribunal entendeu que ele deveria responder em liberdade.

  A estratégia deu ao crime a marca da impunidade?
  Eu respeito o entendimento do juiz, mas ele está errado. O Ibrain estava em situação de flagrante, a polícia estava atrás dele. Não existe esse negócio de 24 horas (após o crime). A Lei não fala isso. Ela fala sobre momentos após o crime. Se a polícia está em perseguição, pode demorar dias.

O Ibrain está sendo processado por homicídio duplamente qualificado...
  No meu entendimento é triplamente qualificado, porque tentou ocultar as provas do crime, calando o Ciro Frare.

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