Caso EJ influencia a aliança de 2002
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sábado, 19 de agosto de 2000
Ariosto Teixeira Agência Estado De Brasília 
A cooperação dos partidos aliados na condução do caso Eduardo Jorge/TRT de São Paulo está sendo interpretada como primeiro sinal da disposição da coalizão governista de lançar um único candidato à sucessão de Fernando Henrique Cardoso em 2002. Políticos em posições relevantes no governo federal dizem que a ofensiva para desarticular uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), nesse caso, teve como objetivo preservar e fortalecer a aliança PSDB-PFL-PMDB. O objetivo principal não era salvar o ex-secretário-geral da Presidência.
Há unanimidade sobre a isenção de Fernando Henrique Cardoso e de que Eduardo Jorge não teve participação ativa no episódio do TRT de São Paulo. Mas, sem exceção, parlamentares e ministros ressalvam que o que ele (Eduardo Jorge) fez ou deixou de fazer depois de sair do governo é problema pessoal seu. Com esta afirmação, eles querem dizer que se cometeu desvios éticos, morais ou legais, não poderá contar com as forças governistas para se proteger.
A partir desse acordo, os aliados passaram a discutir, diretamente com o presidente, os objetivos do governo nos dois anos e quatro meses que ainda tem de mandato. A questão central é a sucessão de 2002. O presidente Fernando Henrique não assumirá papel de magistrado na campanha, afirma o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG). Ele terá candidato e espero que, de preferência, seja do nosso partido, acrescentou.
O secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, afirma que o candidato a presidente sairá de qualquer um dos partidos aliados. A questão central, para Fernando Henrique, é que surja um nome capaz de encarnar o espírito do seu governo e de transmitir ao eleitorado a segurança de que haverá continuidade do projeto político, econômico e administrativo.
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, admite a existência de um calendário informal da sucessão: na virada do ano, o processo ganhará ritmo, mas a definição somente virá depois de abril. Fernando Henrique tem dito que o ideal seria a definição sair até o fim de junho de 2001.
Há duas convicções entre os políticos: a escolha recairá sobre um representante de um dos grandes partidos da aliança ou então sobre um nome que, mesmo não tendo inscrição formal nesses partidos, tenha perfil para receber o apoio de qualquer um deles.
Não se espera alguém com a mesma capacidade aglutinadora revelada por Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. Os políticos esperam, no entanto, um nome capaz de manter as forças governistas atadas a compromissos programáticos por pelo menos mais um período presidencial.
Nenhum dos grandes partidos conseguiu impulsionar uma candidatura que possa ser considerada verdadeiramente natural. As tentativas de candidatura própria malograram uma a uma, fazendo com que o processo convergisse para a hipótese de repetição da aliança da reeleição.
No PFL, desenvolveu-se o projeto individual do senador Antonio Carlos Magalhães (BA). Ele se tornou o principal ator do Congresso, entrou em rota de colisão com Fernando Henrique Cardoso e chegou a causar a impressão de que mandava mais no governo do que o próprio presidente. A estratégia não lhe rendeu apoio popular.
Percebendo a situação, os pefelistas lançaram outros três nomes: o dos governadores Jaime Lerner (Paraná) e Roseana Sarney (Maranhão) e o do vice-presidente Marco Maciel.


