O juiz da 6 Vara Cível de Maringá, Belchior Soares da Silva, concedeu liminar que indisponibiliza os bens de três citados na ação civil pública que denuncia indícios de superfaturamento na compra de 20 laptops para a Casa, ano passado. Os abrangidos pela liminar são Luiz Carlos Barbosa e Adilson de Oliveira Corsi, servidores de carreira do Legislativo, e José Wanderlei Domingues, sócio da Informar Assistência Técnica Ltda, empresa que venceu a licitação para o fornecimento do maquinário.
À época dos fatos relatados na ação, e de acordo com a Procuradoria Jurídica da Câmara, Barbosa integrava as comissões de licitação e de recebimento, enquanto Corsi era membro apenas daquela responsável pelo recebimento dos produtos licitados.
Conforme a ação da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, teriam havido indícios de superfaturamento na compra de 20 computadores portáteis, orçados cada um em R$ 10.980. Levantamento feito pela Folha na ocasião constatou que, em Londrina, computadores de marca e configuração idênticas eram vendidos, em média, a menos de R$ 6 mil. O Ministério Público (MP) investiga ainda a compra de dois tripés para câmeras filmadoras, adquiridos pelo valor unitário de quase R$ 7,5 mil.
A Promotoria começou a investigar o caso depois que se tornou pública a compra, efetuada em fevereiro de 2005, mas com a entrega do material aos parlamentares apenas em outubro nesse tempo, ficaram armazenados ou em manutenção no setor de almoxarifado. Em relação a isso, o presidente do Legislativo maringaense, João Alves Correia (PMDB), justificou que o atraso ocorreu em função de problemas com vírus, supostamente surgidos nas máquinas em maio. A ação civil pública também pedia o afastamento de Correia da condição de presidente da Casa, mas essa liminar foi indeferida pelo juiz da 6 Cível. Em relação à empresa, o promotor José Aparecido da Cruz, autor da ação, argumenta que ela não teria condições de participar do processo de licitação (feito pela modalidade de tomada de preços) por cuidar especificamente de situações de assistência técnica.
Atualmente funcionários no almoxarifado e no setor de manutenção da Câmara, respectivamente, Barbosa e Corsi não foram localizados pela reportagem para comentar o assunto. A assessoria de imprensa do Legislativo afirmou, contudo, que eles não querem se manifestar. A Folha procurou também o sócio da Informar, mas um funcionário que se identificou como Walcir disse que Domingues estava em viagem a Colorado. O rapaz não quis fornecer números de telefone do empresário nem quaisquer contatos de um possível advogado dele.

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