Caso dos kits escolares tem primeira audiência
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de maio de 2013
Loriane Comeli <br>Reportagem Local 
Foi realizada ontem a primeira audiência do processo que apura possível improbidade administrativa do ex-prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT) e dos ex-secretários municipais Karin Sabec (Educação) e Fábio Reali (Gestão Pública) na licitação de R$ 8,2 milhões para a compra de 34 mil kits de material escolar para alunos da rede municipal no começo do ano passado.
Como os réus, nas defesas, não contestaram as alegações do Ministério Público de que houve superfaturamento de preços no edital ou direcionamento devido à excessiva especificação dos itens, o único objetivo da audiência foi demonstrar se os réus agiram ou não de má fé ao lançar o edital e não suspendê-lo mesmo com recomendação do Ministério Público. O pregão somente foi suspenso após parecer da Controladoria Geral do Município. Depois disso, a Justiça também determinou a suspensão do certame. A compra acabou não sendo feita.
Barbosa, Reali e Karin restringiram-se a afirmar que não foram responsáveis pelos eventuais erros do edital. Ontem a ex-secretária prestou depoimento perante o juiz da 2 Vara da Fazenda Pública, Emil Tomás Gonçalves, e atribuiu a responsabilidade ao ex-prefeito e também ao ex-secretário de Governo Marco Cito. Segundo ela, sua intenção era acatar a recomendação do MP, mas Cito teria encaminhado a ela e a Reali um email dando instruções para manter o pregão.
Em juízo, ouvido ontem como testemunha de Barbosa, Cito afirmou que não concordava com a suspensão do pregão porque ''havia por trás uma briga política''. Ele lembrou que foi ao Calçadão demonstrar a suposta qualidade superior dos produtos que seriam comprados em Londrina sobre produtos comprados em Maringá. Aqui o edital continha preços quase quatro vezes superiores aos preços do edital de Maringá. ''Era véspera de eleição e o prefeito de Maringá era do partido do principal (futuro) candidato opositor.''
Karin afirmou ontem que a verdade será provada. Servidora municipal há 22 anos, ela foi condenada recentemente por improbidade administrativa no caso dos ''livros racistas''. ''Até agora, só eu que não roubei nada, estou pagando.'' Ela estava de licença médica desde outubro do ano passado, mas voltou recentemente ao trabalho, como secretária administrativa na Escola Municipal Carlos Dietz. ''Devo ir para a sala de aula em breve'', comentou, lembrando que é concursada como professora.
Reali, que também é servidor municipal, não quis dar entrevista. Ele está afastado do cargo desde agosto do ano passado por decisão judicial em razão de suposto envolvimento com um esquema fraudulento para a compra de uniformes escolares. Barbosa não compareceu à audiência.


