Caso Dirceu atropela PEC da verticalização
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quinta-feira, 24 de novembro de 2005
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - A votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que libera as alianças eleitorais nos Estados, independentemente da coligação formada para eleger o presidente, em 2006, foi adiada ontem, em meio à rebelião de líderes da oposição contra a interferência do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o andamento do processo de cassação do deputado José Dirceu (PT-SP) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara.
Irritado com o adiamento iminente da votação do processo contra Dirceu por causa da atuação do STF, o líder do PFL na Casa, Rodrigo Maia (RJ), anunciou da tribuna a obstrução do partido às votações. Quem ganhou com o protesto foi o PT, que passara o dia isolado, trabalhando para adiar a votação da PEC.
A crise que desgastou a imagem do governo e da legenda desorganizou a sigla a tal ponto que os petistas não se entendem mais sobre a conveniência de liberar as coligações nas disputas de governador. Boa parte da cúpula da agremiação, que há seis meses era favorável a limitar as alianças nos Estados e cidades ao modelo da parceria fechada na corrida presidencial, mudou de opinião depois da crise e, agora, ensaia um recuo. Foi o vai-e-vém do PT que levou o líder do partido na Câmara, Henrique Fontana (ES), a trabalhar para esticar o debate da PEC que acaba com a limitação das alianças nos Estados para eleger o presidente.
Fontana operou pelo adiamento, depois que a maioria da bancada decidiu manter a verticalização das alianças, na contramão do que pregara na véspera o presidente nacional da legenda, deputado Ricardo Berzoini (SP). A cúpula petista avaliara que, depois da crise, a regra da verticalização tornou-se prejudicial ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O entendimento da direção partidária foi de que, no cenário atual, a legenda não teria mais cacife político para impor um modelo de aliança a todos os Estados. Mas o argumento não sensibilizou a bancada petista.
''Achamos que a verticalização organiza a estrutura do País'', defendeu Fontana. Na reunião da bancada, realizada na noite de terça-feira, ele argumentou que não era hora de a legenda mudar de posição. ''Se não fizemos nada para aprimorar o sistema político e partidário até agora; depois dessa crise toda, não podemos, simplesmente, derrubar a verticalização e ir para o caminho da anarquia'', afirmou aos liderados.
Berzoini ainda tentou argumentar que, mesmo sendo algo bom do ponto de vista teórico, a verticalização é inadequada e difícil de aplicar-se num País com tanta diversidade como o Brasil. ''Se, em tese, a regra pode beneficiar mais quem está no governo, na prática, os aliados nacionais podem acabar não se coligando por problemas regionais'', analisou o presidente nacional do PT, ao admitir que há dificuldades em forçar uma parceria até mesmo com o PL, que indicou o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, na chapa de Lula, em 2002. Mas não convenceu.


