Caso Dias continua indefinido
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quarta-feira, 20 de junho de 2001
Lúcio HortaDe Londrina 
A novela da permanência dos senadores Alvaro e Osmar Dias no PSDB ainda vai se arrastar por mais alguns capítulos e só deve terminar na terça-feira, quando haverá reunião da executiva nacional. Ontem, o presidente nacional do partido, deputado José Anibal (SP), entregou ao líder da bancada no Senado, Sérgio Machado (CE), um comunicado determinando o desligamento temporário dos irmãos. Caberia ao líder proceder a punição.
Machado, no entanto, não acatou a determinação do presidente e informou que iria ouvir a bancada antes de tomar qualquer decisão. Mas a tendência, segundo a assessoria do senador, era devolver a punição para a executiva. Machado entende que qualquer punição a um filiado teria que passar pelo conselho de ética, conforme prevê o artigo 50 do estatuto do partido.
Anibal rebateu a informação recorrendo ao artigo 65. Segundo o presidente, quando o parlamentar não respeita uma questão fechada pela executiva tucana no caso, a retirada da assinatura do requerimento pedindo a abertura da CPI da Corrupção , a punição não precisa passar pelo conselho de ética e a pena é aplicada pelo líder da bancada no caso, o próprio Machado.
Para Osmar, o impasse entre Anibal e Machado é mais uma prova de que os tucanos são indecisos até para expulsar filiados. Ontem, ele reiterou que não pretende mais ficar no partido, seja qual for a decisão da executiva nacional. Mas vou esperar a formalização da medida. Quero um comprovante de que o partido está retaliando por causa da CPI, afirmou.
Hoje à tarde, Osmar tem encontro com o presidente do PT, José Dirceu (SP). O senador também já manteve contatos com o presidente do PMDB, Maguito Vilela (GO), além de convites do PDT e PSB. A bancada estadual do PMDB no Paraná também enviou carta de solidariedade aos irmãos Dias e ratificou o convite a Osmar para ingressar no partido.
Alvaro, que ontem almoçou com o governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), também informou que irá aguardar a definição do partido para decidir sobre seu futuro político. Hoje ele estará em Curitiba reunido com lideranças do Paraná. Vamos ver o que fazer em conjunto.
Tanto Alvaro quanto Osmar acusaram Anibal de novamente ameaçar uma intervenção no PSDB paranaense. Qualquer retaliação nos dá autoridade para deixar o partido. Não vamos ficar na dependência de soluções que possam comprometer o nosso projeto, disse Alvaro, que pretende disputar o governo do Estado. A assessoria de Anibal, no entanto, não confirmou que haverá a intervenção. Qualquer decisão é da executiva, informou. (Colaborou Maria Duarte, de Curitba)


