Ao condenar os ex-vereadores Sidney de Souza (PTB) e Orlando Bonilha por concussão, em setença publicada anteontem, o juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, Katsujo Nakadomari, também encaminhou cópia da decisão à Justiça Eleitoral. A intenção é dar cumprimento à medida cautelar, constante da decisão, que proíbe os dois de exercerem cargos públicos. A medida cautelar afeta Sidney, que foi eleito em outubro para uma vaga na Câmara Municipal.
O juiz da 41 Zona Eleitoral, Álvaro Rodrigues Júnior, não quis dar entrevista sobre o assunto, mas instaurou ontem procedimento para verificar as providências cabíveis até o dia 17, data para a diplomação dos eleitos.
A promotora que atua na mesma zona eleitoral, Susana Lacerda, já concedeu parecer no procedimento. ''Entendo que não há impedimentos para a diplomação, porque se trata de um ato administrativo. A proibição é para que exerça cargo público'', explicou Susana. ''Por isso, já encaminhei ofício ao presidente da Câmara para não permitir a posse deste vereador.''
O advogado Dely Dias das Neves, que representa Sidney, disse que deve recorrer após ser intimado da decisão. Se mantida a medida cautelar, o suplente de Sidney, Tio Douglas (PTB), seria chamado para assumir a vaga. Ontem ele não quis comentar o assunto. ''Não posso falar nada sem uma decisão da Justiça Eleitoral.''
O advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, também pretende recorrer e pedir o perdão judicial para seu cliente, réu confesso no esquema de cobrança de propina na legislatura passada da Câmara Municipal. ''Estou convencido de que o Bonilha mereça o perdão judicial em função da oportunidade e da utilidade da delação feita naquele período mencionando 23 denúncias ao Ministério Público'', argumentou.
Quanto à proibição de exercer cargo público, Neves lembrou que Bonilha está com os direitos políticos suspensos por nove anos, desde agosto de 2008, quando teve o mandato cassado pela Câmara Municipal. Recentemente o Tribunal de Justiça considerou válida a decisão do Legislativo e Neves pretende ajuizar um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Bonilha e Sidney foram condenados por concussão, porque teriam exigido pagamento de propina do proprietário da boate Shirogohan para aprovar projeto de lei que permitia a construção de um motel no local. O empresário confessou ter pago R$ 15 mil. Bonilha, por ser colaborador, teve pena menor, de três anos de prisão e multa de R$ 202 mil; a Sidney, o juiz aplicou pena de 4 anos e seis meses e multa de R$ 301 mil.
Os ex-vereadores já foram condenados criminalmente em julho deste ano no caso da chamada lista Caldarelli. Sidney teve pena de nove anos e 10 meses de prisão e Bonilha, de quatro anos e dois meses.

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