Curitiba As investigações do Ministério Público Federal (MPF) sobre os beneficiários dos recursos movimentados pelas contas CC-5 do Banestado estão suspensas até que o Tribunal Regional Federal (TRF), com sede em Porto Alegre, decida qual setor do MPF é o responsável pela apuração das denúncias.
Os procuradores do MPF em Foz do Iguaçu pediram em novembro do ano passado a transferência das diligências para a capital, por indícios de que a diretoria do banco, sediada em Curitiba, estaria envolvida nas irregularidades. Os procuradores de Curitiba, do outro lado, argumentam não ter responsabilidade sobre o assunto. Na última terça-feira, a Justiça Federal em Curitiba decidiu remeter a questão ao TRF de Porto Alegre para que o órgão decida de quem é a competência para investigar as contas CC-5. Não há ainda data para que o TRF julgue a questão.
A demora na decisão pode acabar beneficiando as pessoas que teriam usado as agência do Banestado em Foz e Nova York para lavar dinheiro proveniente, dentre outros, do narcotráfico. Muitos dos 700 inquéritos policiais abertos para descobrir os responsáveis pelas contas correm o risco de serem arquivados. Boa parte sequer tem denúncia formalizada pelo MPF, sem falar que os crimes podem prescrever. O crime de remessa ilegal de divisas para o exterior, por exemplo, prescreve entre quatro e 12 anos contados a partir de quando ocorreu o ato criminoso.
Os procuradores de Foz alegam também falta de recursos técnicos e humanos para concluir as diligências em andamento. Já os procuradores de Curitiba afirmam que se os inquéritos ficarem em Curitiba, o risco das investigações não darem em nada aumenta. O juiz que remeteu para o TRF a decisão sobre a competência das investigações, Marcos Josegrei da Silva, ressaltou que o envio dos autos para a capital ''equivaleria a praticamente começar o trabalho do zero''.