Os depoimentos de dois funcionários da Sercomtel ouvidos perante o juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, Katsujo Nakadomari, no processo que apura compra de votos de vereadores em favor do ex-prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT), batem de frente com uma versão apresentada pelo ex-presidente da telefônica, Roberto Coutinho Mendes, de que entregou R$ 5 mil ao ex-diretor de Participações da empresa, Alysson Tobias de Carvalho, para que fizesse uma viagem para Curitiba a serviço da Sercomtel. Foi a segunda audiência do caso, em que são réus além de Coutinho e Alysson, o vereador Eloir Valença (PHS), o empresário Ludovico Bonato e os ex-secretários de Barbosa, Rogério Lopes Ortega e Marco Cito. Eles são acusados de formação de quadrilha e corrupção.
O gerente de Publicidade, Marcos Roberto Marques, que trabalha há 20 anos na empresa, disse que funcionários e diretores recebem um valor para a viagem e, no retorno, prestam contas, devolvendo o dinheiro excedente ou recebendo complemento de gastos. O segundo funcionário disse que a própria empresa se encarrega de comprar passagens e reservar hotéis para os funcionários.
Na denúncia, o Ministério Público sustenta que no dia da prisão de Cito e Bonato, em 24 de abril, Coutinho sacou R$ 5 mil de sua conta em uma agência instalada dentro da Sercomtel e entregou o valor para Alysson, que, em seguida, entregou a Bonato. O empresário foi então até o vereador Amauri Cardoso (PSDB) e entregou além dos R$ 5 mil mais R$ 15 mil, que seria para que ele votasse contra a Comissão Processante (CP) da Centronic. Neste momento, tanto Bonato quanto Cito foram presos em flagrante.
Além dos funcionários da Sercomtel, foram ouvidas outras 10 testemunhas de defesa, incluindo os vereadores Sebastião dos Metalúrgicos (PDT) e Joel Garcia (PP). ''Não posso dizer que são pessoas éticas. Caso contrário eu não teria pedido a abertura de cinco comissões de investigação contra esta administração'', disse Joel, ao ser questionado por um dos advogados dos réus. O vereador afirmou, porém, que jamais recebeu oferta de propina dos réus e tentou desqualificar Amauri Cardoso, que também formulou denúncias contra o pepista no MP.
As testemunhas de defesa de Cito restringiram-se a afirmar que ele sempre militou na Igreja Católica e demonstrou boa conduta. Quanto a Eloir, ele chamou o pastor Osni Ferreira para testemunhar sobre a ''honestidade'' do parlamentar, que frequenta a igreja do religioso. A assessora de Eloir, Irene Regina, também fez um depoimento elogioso ao seu superior, afirmando que ele somente passou a se opor à abertura da CP da Centronic (que acabou cassando o mandato de Barbosa) porque embora o relatório apontasse responsabilidade de Jacks Dias (PT), o petista não respondeu a processo. A Câmara entendeu que como a irregularidade ocorreu quando Jacks era secretário de Gestão Pública, não poderia sofrer sanção do Legislativo.
Barbosa foi arrolado como testemunha por Coutinho e Eloir, mas não compareceu na audiência de ontem. Ele não teria sido intimado. A próxima audiência do processo será em 15 de outubro e, além das últimas três testemunhas de defesa, os réus devem ser interrogados. ''Creio que este processo será julgado até o final do ano'', estimou o promotor Cláudio Esteves, que participou da audiência de ontem.

mockup