A Associação Paranaense do Ministério Público (APMP) rebateu as críticas de entidades londrinenses e considerou "exagerado" o posicionamento delas contra a ação civil pública por improbidade administrativa no caso do empreendimento City Shopping, localizado na rua Benjamim Constant, área central de Londrina. Em manifesto intitulado "Londrina não tem donos", assinado pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Clube de Engenharia de Londrina (Ceal), Sindicato da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon), Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi) e Sociedade Rural do Paraná (SRP), o MP é acusado de tomar "decisões midiáticas" e de embasar o processo em "autoritarismo e fundamentalismo jurídico".
Procurado ontem pela FOLHA, o vice-presidente da APMP, Cláudio Esteves, adotou o tom moderado para tratar do caso, mas reconheceu que "seria melhor para o debate se não houvesse críticas pessoais". O manifesto das entidades fala que "alguns membros do MP mostraram-se poucos razoáveis" ao propor a ação civil pública porque "admitem não ter encontrado um só ato de corrupção". A ação, distribuída à Justiça no último dia 18 de julho e assinada pelos promotores Renato de Lima Castro e Leila Schimiti, relata "sequência de atos administrativos ilegais" que "tiveram o condão de favorecer o empreendimento e o empresário". Sem entrar no mérito da ação, Esteves afirmou que "é natural que o MP receba críticas pela sua função, não é a primeira vez e estamos abertos para o debate".
No entanto, Esteves rechaçou a acusação de que houve apelo midiático dos promotores. "O assunto já era debatido na mídia, e assim que concluiu a investigação, o MP cumpriu o seu papel de dar publicidade, atendendo a procura da imprensa e o interesse público."
Questionado sobre trecho do manifesto no qual as entidades afirmam que "Londrina não tem donos nem xerifes", Esteves rebate: "Não tem fundamento e não contribui em nada". O promotor de Justiça negou que o episódio deixa rusgas entre o MP e as entidades. "É uma divergência pontual. Não estamos em lados opostos."
Foram acionados na ação civil pública por suposta improbidade administrativa dois nomes do primeiro escalão da gestão Alexandre Kireeff (PSD): o procurador-geral do município, Paulo Valle, e a presidente do Ippul, Ignes Dequech. Também foram denunciados o fiscal Sérgio Florêncio Exposito e os engenheiros Valtencir Godinho de Camargo, Edson Ogaki e Ossamu Kaminagakura, além da arquiteta Celina Ota e o empresário Rachid Zabian.
Em entrevista à FOLHA, o presidente da Acil, Valter Orsi, afirmou que a medida adotada pelo MP acabou em "execração do nome de pessoas de bem, que estão ganhando pouco e assumindo funções de grande responsabilidade", se referindo especificamente a Valle e Ignes.
Orsi reforçou ainda os argumentos do manifesto sobre as vantagens da instalação do City Shopping no centro. "Estamos discutindo se deve ser 2,5 metros ou 5 metros de recuo, mas precisamos ver que é um empreendimento que só trouxe benefícios àquela área. Quando há o desrespeito à lei, cabe à prefeitura multar e foi isso que aconteceu."
Apesar do City Shopping ter sido inaugurado em 2012, somente em maio deste ano, após ampla divulgação das ilegalidades sobre a construção, a prefeitura notificou e autuou o empreendimento: a multa aplicada foi de
R$ 2,9 milhões.

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