O relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Centronic, que indicava infração político-administrativa por parte do prefeito Barbosa Neto (PDT) por conta de dois vigias que teriam trabalhado em sua rádio particular sendo pagos com dinheiro público, foi aprovado por 12 votos pelos vereadores da Câmara de Londrina - dois a mais do que o necessário para a aprovação. Assim que acabou a votação, baseado no relatório da CEI que apontou essa e outras supostas irregularidades, o ex-secretário de Defesa Social Benjamin Zanlorenci - que foi exonerado do cargo em novembro de 2010 e responsabilizado pelo Executivo por irregularidades no treinamento da Guarda Municipal - protocolou um pedido de abertura de Comissão Processante (CP) contra o prefeito.
O ex-secretário chegou no início da sessão e já estava com o documento pronto, somente esperando o final da votação do relatório no plenário. O pedido de CP foi protocolado em nome do PMN, legenda que Zanlorenci preside em Londrina. O ex-secretário frisou que não foi motivado por ''vingança ou mágoa'' por conta de sua exoneração. ''A conversa hoje não é essa. Aqui é representação do Partido da Mobilização Nacional de Londrina, que representa 31 municípios, que através de uma reunião os filiados se manifestaram em relação às irregularidades que estão ocorrendo na administração, principalmente nessa da Centronic. Nosso entendimento hoje é que é necessária a abertura de uma CP'', explicou Zanlorenci.
O ex-secretário chegou a ser ouvido pela CEI da Centronic e alegou na época dos depoimentos que sofreu perseguição dentro da Secretaria de Defesa Social quando descobriu que a empresa de segurança tinha sido declarada inidônea em Curitiba, mas continuava com um contrato com a administração em Londrina. Segundo Zanlorenci, assim que começou a questionar o contrato e analisar a documentação, ele foi exonerado do cargo por conta de outra investigação que corria na época, sobre a Guarda Municipal.
O vereador Roberto Kanashiro (PSDB), presidente da CEI, comemorou a aprovação do relatório final da CEI. ''Desenvolvemos um trabalho com muita seriedade, muito critério, e o relatório que apresentamos foi em cima dos fatos que apuramos em oitivas e documentos. O relatório tem fundamento'', salientou. Além de Kanashiro, participaram da investigação os vereadores Rony Alves (PTB), relator, e Ivo de Bassi (PTB), membro. No momento da votação, que foi nominal, os vereadores que se abstiveram da decisão foram vaiados por pessoas que estavam nas galerias acompanhando os projetos da Casa.
Além de apurar infração por parte do prefeito, o relatório questionou a legalidade da contratação da empresa e pediu o encaminhamento das provas ao Ministério Público estadual, à Controladoria-Geral do Município e ao Tribunal de Contas do Paraná.
O pedido da CP agora passa pela Mesa Executiva da Câmara e pela Procuradoria da Casa, que deve pedir a defesa prévia do prefeito antes da votação pelo plenário. A votação só deve acontecer na volta do recesso parlamentar, em fevereiro.

Imagem ilustrativa da imagem Caso Centronic: ex-secretário protocola CP contra Barbosa
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