Brasília - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), iniciou ontem, pela terceira vez, a coleta de assinaturas para possibilitar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) encarregada de investigar ''as circunstâncias'' do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002. De acordo com a contabilidade de Virgílio, a proposta conta com o apoio imediato de pelo menos 22 colegas. Quanto aos cinco votos que ficariam faltando para atender às exigências do regimento, o líder acredita que os senadores serão convencidos pelos dados já em poder do Ministério Público.
É o caso do depoimento em que o irmão de Celso Daniel, o oftalmologista João Francisco, declarou ter ouvido o ex-secretário de governo de Santo André Gilberto Carvalho afirmar que tinha a incumbência de levar o dinheiro da propina para o PT e que esse dinheiro seria entregue ao então presidente do partido e atual ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
O líder disse que está ''curioso'' para ver os termos da ação judicial anunciada por Dirceu e Carvalho contra o médico. ''Se é que ele vão fazer isso mesmo'', ironizou. Segundo ele, como ''prova de inocência'', os dois deveriam propor ao Ministério Público que faça uma acareação entre eles três e a ex-mulher de Celso, Míriam Belchior, que hoje trabalha do Palácio do Planalto. ''Nada como uma acareação entre todos os citados para remover ou acentuar as dúvidas'', propôs. Ele lembrou ter João Francisco afirmado que Míriam sabia do esquema de propina na prefeitura de Santo André.
As duas outras tentativas de Virgílio de criar a CPI foram derrubadas pelo governo. Há cerca de dois meses, ele obteve as 27 assinaturas necessárias, mas seus colegas João Papeleo (PSB-AP) e Paulo Octávio (PFL-DF) recuaram e retiraram o apoio, provavelmente atendendo ao pedido do governo.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR), lembrou que, na semana passa, João Francisco repetiu ao GRUPO ESTADO a informação de que seu irmão foi vítima de um crime encomendado e que não interessa ao PT apurar o que realmente ocorreu. Ele leu, da tribuna , o editorial em que o jornal ''O Estado de S.Paulo'' afirma ser indispensável uma CPI para investigar o episódio e trechos da entrevista que oftalmologista concedeu ao repórter Fausto Macedo.
''Não é possível ignorar fatos dessa natureza'', argumentou o senador, ao insistir na necessidade da investigação. ''Não dá mais para dizer que a oposição insiste numa tese requentada quando a própria família do prefeito assegura ter sido ele vítima de um crime encomendado''.
Autor do requerimento para criar a chamada CPI do Waldomiro, outro tucano, o senador Antero Paes de Barros (MT), lembra que não há como evitar a suspeita que paira sobre o governo enquanto houver o cerco de petistas impedindo as investigações.

mockup