Caseiro admite que Amato conhece traficante carioca
Carmem Murara e
James Alberti
Reginaldo Pinheiro, o rapaz que toma conta da casa de Jaime Amato Filho em Curitiba, apontado como um dos principais membros da quadrilha de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, do Rio, admitiu ontem que Amato conhece o traficante mais procurado hoje no País. Ele tentou despistar mas acabou deixando transparecer a ligação entre os dois, o que confirma a investigação da CPI do Narcotráfico, que apura o crime organizado no País.
Pinheiro mora desde 1997 em uma casa na Rua Ricardo Emílio Michel, 22, na Favela Morro do Piolho, no bairro Fazendinha, em Curitiba. A pequena casa que havia no local está sendo transformada num sobrado e já foi decorada com enfeites natalinos, colocados anteontem pelo rapaz.
Toda a segurança da residência está sendo reforçada. Em frente a casa, um muro esconde toda a casa. Quem passa pela rua não se dá conta do que há atrás do muro. Uma porta da casa, por exemplo, está dando lugar a uma parede de concreto. Segundo Pinheiro, Amato alugou o imóvel de uma vizinha e, em vez de pagar o aluguel, optou em usar o dinheiro para fazer a construção.
O rapaz nega, no entanto, que a casa seja um ponto de venda de cocaína e crack. Jaime Amato é apontado pela CPI do Narcotráfico como o homem forte de Beira-Mar no Paraná e em São Paulo. Segundo a Divisão de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Amato teria uma base de operações numa fazenda em Atibaia, interior de São Paulo. Na maioria das vezes, Amato controla por telefone, de Curitiba, os carregamentos que vão chegar a Atibaia. Eles utilizam telefones celulares e até telefones por satélite.
O carregamento de cocaína e crack, que sai de avião da cidade paraguaia de Capitão Bado é arremessado na fazenda na região de Atibaia. De lá, a droga segue em caminhões ou carros para o Rio de Janeiro e para municípios paranaenses como Maringá e Umuarama. Parte vai para o Porto de Paranaguá, onde é enviada para a Holanda.
Apesar de aparentar um pouco de nervosismo no começo da conversa, que durou meia hora, Pinheiro disse estar tranquilo e aguardando a chegada da Polícia Federal. Ele nega qualquer envolvimento com o tráfico de drogas e diz ter sido contratado apenas para cuidar da mãe de Amato, que tem 70 anos e sofreu um derrame. É certeza absoluta que a Polícia Federal vai bater aqui para me emprensar (sic). Mas não tem nada aqui. Tô limpo na história. Não tenho participação, disse. Não converso com ele (Amato) sobre os negócios. Só faço meu servicinho aqui: cuido da mãe dele.
Os contatos com Amato, conforme Pinheiro, são breves feitos por telefones. Ele só pergunta como está mamãe, disse. Segundo Pinheiro, Amato não liga há duas semanas. Sabendo das investigações da CPI pela televisão, o rapaz disse que as denúncias são maiores do que os fatos reais. Tem muita simulação. Muita coisa não é verdade. Não é tudo isso aí, afirmou. No entanto, Pinheiro confirma que Amato conhece Fernandinho Beira-Mar. Deve conhecer. Acho que tenho certeza que conhece, afirmou, de forma ambígua.





