Caseiro abre sigilos à CPI dos Bingos
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terça-feira, 21 de março de 2006
Felipe Recondo<br>Folhapress 
Brasília - O caseiro Francenildo dos Santos Costa, autor de denúncias contra o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, autorizou ontem os integrantes da CPI dos Bingos a analisarem dados sigilosos referentes à sua movimentação bancária, às ligações de seu telefone e a seus dados fiscais. O documento foi entregue pelo advogado do caseiro, Wlício Chaveiro Nascimento, ao presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB). ''Quem não deve não teme e não treme'', afirmou o advogado. ''É a demonstração de quem quer deixar claro que está falando a verdade'', acrescentou.
O documento será encaminhado à comissão parlamentar, cujos integrantes devem votar, na sessão desta quarta-feira, um requerimento para a quebra dos sigilos com base na autorização dada por Francenildo. As informações repassadas aos senadores ficarão restritas à CPI dos Bingos e não poderão ser divulgadas pelos integrantes da comissão.
A decisão de Francenildo foi motivada, de acordo com o advogado, pela divulgação ilegal na semana passada de dados de sua movimentação financeira e pelo pedido apresentado pelo senador Tião Viana (PT-AC) para que o sigilo do caseiro fosse aberto ao Senado. ''Como brasileiro quero parabenizar o Francenildo, que dá o exemplo de ser um homem sério e trabalhador humilde que quer falar a verdade'', disse Efraim.
A Polícia Federal pretende pedir à Justiça autorização para realizar buscas e apreensões na Caixa Econômica Federal (CEF) na procura de indícios de quem promoveu a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo, também conhecido por Nildo. Por determinação do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a PF abriu ontem inquérito para apurar o caso e deve fazer hoje as primeiras intimações, entre as quais a de assessores da Caixa e de Palocci, citados na imprensa como envolvidos ou conhecedores do episódio.
Mas por outro lado, a PF vai também investigar a origem dos depósitos, no montante de cerca de R$ 30 mil, feitos na conta do caseiro entre janeiro e março deste ano. O pedido de investigação dos depósitos foi feito ontem pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O objetivo é confirmar se o dinheiro tem origem legal e se os depósitos de fato teriam sido feitos pelo pai presumido do caseiro.
Nildo foi quem revelou, em entrevista à Agência Estado, a presença constante de Palocci na mansão no Lago Sul, na qual trabalhava como caseiro, alugada por lobistas da chamada ''República de Ribeirão Preto''. Palocci nega que tenha colocado os pés na mansão. No momento em que o caseiro dava dados sobre o caso à PF, na última quinta-feira à noite, um funcionário da Caixa, com senha de gerente, acessou o sistema e puxou o extrato da poupança de Costa, na qual apareciam os depósitos, considerados volumosos para um caseiro. Os dados da conta, cujo sigilo foi violado sem autorização judicial, apareceram publicados na ''Revista Época'' do fim de semana. Por não configurar crime a divulgação, mas sim a quebra do sigilo e o vazamento - a revista e os repórteres que assinam a matéria não serão investigados.
A PF tem convicção de que a direção da Caixa já sabe o nome do servidor, com senha de gerente, que puxou o extrato de Nildo e a mando de quem, mas estaria protegendo o responsável. A Caixa abriu sindicância para investigar as responsabilidades e repele as insinuações. Nas buscas que está programando, a PF pretende apreender o computador usado pelo servidor da Caixa e submetê-lo à perícia. (Vannildo Mendes/Agência Estado)


