‘‘Não subo no palanque do presidente Fernando Henrique nem morto. Vou dizer aos meus eleitores que vou votar no Ciro’’, afirmou o deputado Vicente Cascione (SP) após conhecer o resultado da convenção do PTB. O deputado havia denunciado a pressão do governo sobre os convencionais.
Cascione criticou a ‘‘coerência de última hora’’. No discurso, ele afirmou que o partido ‘‘anda no arrastão das conveniências pessoais e de interesses de alguns’’. ‘‘O governo violentou os parlamentares do PTB. Coagiu colegas como coagiu a mim’’, disse Cascione.
O deputado disse que não vai aceitar a decisão da convenção. ‘‘Vou ser coerente com a posição de independência minha e dos 90 votos de convencionais que estiveram aqui por conta própria e não vieram em aviões fretados por conta do governo’’, declarou Cascione, referindo-se a cerca de 20 parlamentares do Rio que chegaram juntos à convenção, defendendo apoio a FHC.
Segundo o deputado, foram os votos desses convencionais e os das bancadas do Rio Grande do Sul e do Paraná que decidiram a convenção.
O líder do PTB na Câmara, Paulo Heslander (MG), disse que os dissidentes do partido que não quiserem obedecer a decisão tomada ontem ficam sujeitos ‘‘às penalidades da lei’’, e acrescentou: ‘‘Isso agride o princípio de democracia.’’
O ex-ministro da Agricultura e senador Arlindo Porto (MG), que anunciou o resultado final da convenção, disse que o partido apoiará Fernando Henrique sem esperar nada em troca.

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