Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Câmara de Cascavel aprovou anteontem à noite a formação de uma Comissão Especial para auxiliar nas investigações que estão sendo feitas pela Assembléia Legislativa do Paraná, em apoio à CPI do Narcotráfico, nacional. A comissão é composta pelos vereadores Aderbal Melo, Oracildes Tavares e Leonir Argente.
Os nomes foram escolhidos por vários motivos. Aderbal é advogado e preside a Comissão de Justiça, Oracildes atua no movimento sindical e em apoio a famílias de presidiários, e Leonir é sargento licenciado da PM.
Cascavel ocupa posição estratégica na rota do tráfico no Paraná por sua localização. Pela cidade passam as rodovias BR-277 e BR-467, que levam à fronteira com o Paraguai, através de Foz do Iguaçu e Guaíra (fronteira também com o Mato Grosso do Sul).
A lavagem de dinheiro também vinha ocorrendo em larga escala na cidade e pode estar vinculada com o tráfico, segundo o procurador da República Celso Antônio Três. Entre 92 e 98, período investigado pelo procurador, foram lavados US$ 450 milhões através de casas de câmbio locais, em operações relacionadas às contas CC-5, para envio do dinheiro para fora do País.
Para reforçar o combate ao tráfico, começou a funcionar ontem em Cascavel o disque-narco, serviço telefônico que recebe denúncias contra traficantes de drogas. Até o final da tarde, o número 0800-452500 já havia recebido mais de quarenta ligações. Todas as denúncias serão repassadas à CEI e à comissão da câmara, e também poderão ser utilizadas pela Polícia.
A iniciativa do disque-narco é do deputado estadual Edgar Bueno (PDT), que mora em Cascavel. Além de sua disposição de colaborar, a iniciativa também foi motivada por uma experiência pessoal. Um filho de Edgar já teve envolvimento com drogas, o que foi admitido publicamente por ele, em novembro do ano passado, durante um evento na cidade. Ele pediu o microfone para desabafar. Aos prantos, denunciou a gravidade da situação. ‘‘Os traficantes estão rondando nossas famílias dia e noite’’, disse.
As denúncias por telefone são feitas sem necessidade de identificação do autor. As informações são filtradas por pessoas com experiência neste tipo de trabalho. O local onde está instalado o serviço não foi revelado, por medida de segurança. A maior parte das ligações, ontem, foi de Cascavel, mas houve várias de cidades da região. O atendimento é feito entre 9 e 12 horas e 13h30 e 18h30, e, depois, as denúncias são gravadas em secretária eletrônica.

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