Cascavel abre espaço para novos líderes
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de outubro de 1998
Paulo Pegoraro 
Faço política independentemente de eleição. A afirmação, do ex-prefeito Fidelcino Tolentino (PMDB), pode resumir a sua incerteza quanto ao futuro, e a de outros políticos tradicionais de Cascavel, que fracassaram nas urnas de 4 de outubro, na eleição para deputado. Vários deles podem continuar atuando partidariamente, mas sem voltar a disputar eleição, mesmo com uma carreira com vários mandatos. Outros quatro políticos, entre os quais dois não eleitos, estão em situação oposta.
Fidelcino Tolentino é um exemplo objetivo para a primeira situação. Ele acumula cargos como vereador, deputado estadual e prefeito, inclusive repetindo-se neles, e era tido como muito forte em meio ao povão. Na última eleição, estimava receber cerca de 25 mil votos, e destes, 15 mil em sua cidade, como candidato a deputado estadual. Recebeu apenas 4.537, dos quais 3 mil em Cascavel - para o deleite de seu ferrenho adversário, o prefeito Salazar Barreiros (PPB), seu sucessor no cargo e ex-companheiro de PMDB.
O salazarismo acha que o resultado foi um julgamento da administração de Tolentino, e pode ter marcado o encerramento de sua carreira. Ele próprio, acha que fez sua parte na eleição, apresentando-se como alternativa aos eleitores, e eles fizeram a parte deles, optando, bem ou mal. Tolentino atribui o resultado nas urnas a vários fatores, prefere não projetar seu futuro agora, e apenas assegura que continuará fazendo política.
No ano 2000, haverá a eleição para prefeito, e dificilmente Tolentino concorrerá, porque seu desempenho eleitoral na cidade não foi estimulador e além disto enfrenta problemas internos no partido, e teria que medir forças direta e arriscadamente com Salazar Barreiros, se este concorrer à reeleição. Restaria uma candidatura a vereador, mas Fidelcino Tolentino alcançou estágio em sua carreira política que não lhe permitiria agora regredir.
Outro que dificilmente voltará disputar eleição é o ex-deputado Ernani Pudell (PT), depois de ter tentado a prefeitura e, agora, ser deputado federal. Ele tinha grande expectativa de ser eleitos, mas os 20 mil votos que obteve (dos quais 8,3 mil em Cascavel) não foram suficientes para superar os peso pesados do partido. Situação semelhante é a do ex-deputado e ex-secretário estadual Joni Varisco (PTB), que fez 24,6 mil votos no total como candidato a federal.
Outro cascavelense com futuro incerto é o ex-governador Mário Pereira (PMDB), candidato a federal, que obteve expressivos 36,3 mil votos, porém destes apenas 7 mil em Cascavel. A esposa, Marlene, tentou ser deputada estadual, mas limitou-se a 15 mil votos e apenas 2,8 mil em sua cidade. No PMDB local, o nome forte hoje é o do federal reeleito Hermes Frangão Parcianello, com seus 49 mil votos, e destes 15,7 mil no município, ampliando a votação que havia obtido na eleição anterior.
Das urnas, além de Frangão, saiu fortalecido o deputado estadual Edgar Bueno (PDT), reeleito com 24,2 mil votos, e destes 16 mil em Cascavel. Bueno diz que, se convocado, vai para a disputa para prefeito. Também ganharam cacife o empresário Renato Silva (PSDB), que não se elegeu deputado federal mas fez 42,5 mil votos e destes 32,4 mil na cidade, e o também tucano Toninho Barater, candidato a estadual que obteve 14,8 mil votos e 11 mil na cidade. Qualquer um dos quatro pode tentar a prefeitura em 2000.


