Agência Estado
De Campinas
A CPI do Narcotráfico pediu ontem a quebra de sigilo de 37 casas de câmbio e de turismo que seriam supostamente ligadas à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e que estão sendo investigadas pela própria CPI, Polícia Federal e Presidência da República. A maior parte das empresas é do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Juntas, elas movimentam mais de US$ 30 bilhões por ano no Brasil. Parlamentares da comissão que está em Campinas (SP) também solicitaram quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de outras 38 pessoas e empresas de Campinas, suspeitas de integrar o crime organizado.
Entre as pessoas que tiveram seus sigilos quebrados estão cinco policiais que foram denunciados pelo ladrão de caminhões Gilmar Leite Siqueira, preso em São Paulo e autor das denúncias sobre o crime organizado em Campinas. Dois deles são policiais – Antônio Lázaro Constâncio e seu filho Jean – que são parentes de uma outra pessoa que trabalhava para o empresário Willian Sozza, acusado de chefiar o crime organizado na cidade e que teria participado de roubos de cargas junto com Siqueira. A CPI também vai investigar, novamente, todas as pessoas que tiveram processos ou condenações por roubo de caminhões em Campinas e São Paulo.
Segundo o deputado Robson Tuma (PFL-SP), que ajuda nas investigações em Campinas, com Pompeo de Mattos (PDT-RS), as empresas de câmbio que estão sob suspeita poderão até perder o credenciamento junto ao Banco Central. Entretanto, grande parte das 37 casas de câmbio já foi descredenciada, mas continua funcionando irregularmente. ‘‘A partir da quebra de sigilo vamos verificar o total de recursos até agora enviados ao exterior’’, afirma Tuma.
O Paraná, com 11 casas de câmbio, é o Estado mais visado pela CPI, principalmente porque está na fronteira do Brasil com o Paraguai, onde a lavagem de dinheiro é facilitada. São Paulo e Rio de Janeiro têm oito empresas cada sendo investigadas. A CPI quer saber se as agências têm ligação com o crime organizado em Campinas. Algumas já foram descredenciadas por falsa informação e evasão de divisas.
Depois do recebimento dos comprovantes de telefonemas, contas bancárias e declaração do IR, a CPI vai decidir se há necessidade de convocar os proprietários das casas de câmbio. Todos terão que comprovar a origem do dinheiro movimentado nos últimos anos.

mockup