Brasília - O acordo que rachou o PT e pôs na berlinda o pragmatismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva escancarou o desconforto na seara petista com o protagonismo do PMDB no governo. Mais do que isso, a operação para salvar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), expôs com todas as letras o que o Planalto tenta abafar: o casamento arranjado do PT com o PMDB está em crise.

Em conversas reservadas, deputados, senadores e até dirigentes do PT dizem que o partido de Sarney tem uma ''montanha de cargos'' no governo, mas a qualquer sobressalto faz chantagem no Congresso. Agora, para obter o apoio do PT a Sarney no Conselho de Ética, o PMDB ameaçou criar dificuldades na CPI da Petrobrás.

Apesar da convicção de Lula de que tudo deve ser feito para atrair o PMDB e juntar suas alas na campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2010, muitos petistas querem discutir a relação. Além disso, em Estados como São Paulo, Rio, Bahia, Minas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a briga entre os dois partidos está cada vez pior.

''O PMDB tem de compreender que não se pode pôr panos quentes sobre assuntos que ferem a ética'', afirmou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). ''Eu gostaria de ver a Dilma dizer aos parlamentares que cada um deve votar de acordo com sua consciência e não à espera de nomeações. O governo não pode ser um toma-lá-dá-cá.''

Numa entrevista à revista ''Veja'', em julho, o senador Tião Viana (PT-AC), que perdeu a eleição no Senado para Sarney, não poupou críticas ao partido do adversário. ''O PMDB é a essência do fisiologismo, tem bons quadros, mas vive da troca de favores e faz de tudo para acomodar os interesses de seus parlamentares'', reclamou. Tião recebeu um pito de Lula logo depois e adotou a lei do silêncio.

''Quem critica tem de propor alternativas e dizer como vamos governar'', reagiu o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). ''Fazer política na teoria é o mesmo que contratar um arquiteto e não chamar o engenheiro para o cálculo de estrutura. Tudo pode ser muito bonito, mas, se não fica de pé, não resolve.''

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