CASAMENTO POLÍTICO SOB RISCO
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de outubro de 2003
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
A aliança entre o PT e o PMDB do Paraná, firmada no segundo turno das eleições de 2002, para a eleição do governador Roberto Requião (PMDB), pode não perdurar até a consolidação das candidaturas às prefeituras municipais, em julho do próximo ano.
Após embates entre o governador e o presidente do PT no Paraná, e presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), André Vargas, com relação a encampação do pedágio, que foram a tônica da relação entre os partidos durante os dez primeiros meses do governo Requião, a aliança parece depender agora da composição entre as siglas na disputa à Prefeitura de Curitiba.
Segundo o presidente do PMDB do Paraná, deputado federal Gustavo Fruet, declarações do presidente nacional do PT, José Genoíno, na última semana, durante o velório do deputado federal José Carlos Martinez (PTB), teriam diagnosticado a aliança. ''O Genoíno disse que em Curitiba o PT lança candidato e se o PMDB quiser, lança o vice. Isto pode até acontecer, mas é um processo. Como vamos definir isso agora? Eles dizem isso e tem que ser aceito? O que não podemos aceitar é que sejam ditadas as regras'', disse Fruet, que é apontado dentro do partido como um dos possíveis candidatos à prefeitura curitibana.
''O que nos une é um projeto maior ou são projetos pessoais? Se for algo maior, isso (a aliança) vai se sustentar por muito tempo. Agora, se romper, é porque não havia substância em uma aliança. Eu aposto na primeira hipótese. Temos que garantir a governabilidade no Paraná e em Brasília'', ponderou, se referindo a aproximação entre as siglas no âmbito federal. ''O PMDB nacional está mais dócil ao PT, e o PT regional está mais azedo ao PMDB. O PT tem evidente projeto de poder partidário, o que gera esse atrito.''
Para Vargas, a ''tensão'' na relação entre as siglas se tornou evidente com as últimas filiações do partido de Requião. ''Em municípios como Sarandi, Ponta Grossa, União da Vitória, e Curitiba, o PMDB filiou adversários nossos para disputar as prefeituras. Não acho problema nenhum em o PMDB crescer na disputa, mas incorporar adversários do PT para disputar com o PT, não é o melhor caminho para manter a aliança'', argumentou. ''Esta aliança está ao sabor do que acontecer em cada um dos municípios. Pelo quadro atual, onde a aliança é possível é em Curitiba e talvez Ponta Grossa. Fora disto, vejo a aliança com muita dificuldade'', disse Vargas. ''Como o PT foi decisivo na eleição do governador, gostaríamos de ter maior empenho do governador não só em Curitiba, Maringá, Ponta Grossa, mas em todas as cidades que o PT administra.''
Segundo Requião, as filiações citadas por Vargas ''não têm o aspecto que demonstra a primeira vista''. ''Todo mundo que quiser entrar no PMDB e não tem ficha criminal, pode entrar'', assegurou durante a visita ao prefeito de Maringá, João Ivo Callefi, na última sexta-feira. (Colaborou Marta Medeiros)


