Curitiba - Dos 18 presos na chamada operação Juçara, deflagrada no último dia 17 no litoral paranaense, dois estavam lotados no gabinete do presidente da Assembleia Legislativa, Nelson Justus (DEM), em cargos de comissão. O casal - Cezar Renato Tozetto e Doris Rozana Correa Tozetto - pediu exoneração depois da operação Juçara que atuou contra um esquema de extração e venda ilegais de palmito. Justus negou envolvimento com as atividades do casal e, em entrevista a uma rádio ontem, disse que só os contratou porque se tratavam ''inegavelmente'' de ''fortes lideranças políticas'' da sua base eleitoral.
Uma regra aprovada no início do ano pelo Legislativo permite que funcionários dos parlamentares atuem nas bases, sem necessidade de cumprir expediente em gabinetes físicos e podendo exercer ainda outras atividades, desde que exista compatibilidade de horário. Justus classifica o casal como ''agentes políticos'' e que o caso ''precisa ser apurado'' pelas autoridades competentes, mas que, para ele, ''o assunto foi encerrado'' após a exoneração do casal.
Operação Juçara
O suposto crime ocorreria por meio da Indústria de Conservas Palmeira, de propriedade do ex-prefeito de Guaratuba José Ananias dos Santos. Segundo a Polícia Federal (PF), ele seria o mentor intelectual do esquema e principal beneficiário. Ele e outras três pessoas permanecem presas desde o dia da operação Juçara. São eles: o sargento da Força Verde Valmor Santana Filho, o chefe da Ciretran em Guaratuba Mordecai Magalhães Oliveira e Odair Claudino Leite, que ''contrataria'' pessoas para o corte e transporte do palmito. A Justiça Federal negou a liberdade a eles. Os demais presos naquele dia já foram soltos, incluindo o procurador-geral de Guaratuba, Jean Colbert, e o fiscal do Instituto Ambiental do Paraná Francisco Antônio Torres de Oliveira.
Outro envolvido no esquema é o atual vice-prefeito de Guaratuba, José Ananias Santos Júnior. A prefeita Evani Justus, é cunhada de Nelson Justus. No dia da operação, Santos Júnior foi considerado foragido pela PF. Mesmo antes de ser preso, ele obteve um habeas corpus para assegurar sua liberdade. O delegado da PF em Paranaguá, Jorge Fayad, disse ontem à FOLHA que o vice-prefeito é o único que ainda não foi ouvido.
Questionado se o dinheiro do esquema poderia ter sido usado para fins eleitorais, Fayad afirmou que o assunto ''tem sido ventilado'', mas que a investigação corre em segredo. O prazo de conclusão do inquérito se esgota no próximo dia 2, mas ele disse que há possibilidade de pedir prorrogação.

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