A julgar pela quantidade de faixas, cartazes e adesivos de candidatos pregada em portas e paredes das casas na periferia, subtende-se que a adesão mais passiva do eleitorado de baixa renda torna-se um atrativo para os políticos. Tanto empenho não parece corresponder aos benefícios conquistados por estas comunidades. O sociólogo João Batista Filho aponta em sua última pesquisa dados intrigantes, porém já conhecidos: em termos de saneamento básico, o atendimento as populações faveladas da cidade não chega a 30%. ''Faltam especialistas e remédios nos postos de saúde, sem contar com o horário de atendimento. Na periferia é proibido adoecer depois das 18 horas.''
A situação das escolas, trampolim para a inserção social destas comunidades, também deixa a desejar. ''A qualificação e o ganho dos professores são péssimas e não há vagas suficientes para atender a demanda de alunos'', comenta. ''Em se tratando do ensino de segundo grau, as poucas escolas não contam com bibliotecas e laboratórios adequados.''
Fora da escola desde quando abandonou a quarta série do antigo primário, o catador de papel Eduardo Coelho Duarte, 23 anos, não alimenta muitas expectativas para sair da condição de estar ''sem eira, nem beira''. A única esperança está depositada no futuro dos filhos, um de quatro e outro de dois meses. Ele reside com a companheira de 19 anos no Jardim Santa Fé (zona leste), em um barraco erguido com sobras de compensados que recolhe nas ruas do centro.
A renda mensal não supera um salário mínimo. O restante, como a comida, é completado com a solidariedade dos conhecidos e com as ''generosas'' xepas no lixo alheio e final de feiras. O título de eleitor também não faz parte da sua documentação. ''O meu maior receio é com o futuro dos meus filhos.''
No outro extremo do município, no limite com Cambé (13 km a oeste de Londrina), os moradores do Assentamento Campo Verde também já não se entusiasmam mais com as eleições. Principalmente aqueles que votam, como o casal de comerciantes Francisco Gonçalves da Silva, 60 anos, e Aparecida Gabriel, 47. Desde a última eleição para governador e deputados, dona Aparecida não viu resultado prático das promessas e compromissos assumidos pelas dezenas de candidatos que passaram pelo local.
A totalidade das ruas continua sem calçamento e as centenas de famílias carentes esperam por um posto de saúde ou uma creche. ''Estamos lutando pra conseguir uma linha de ônibus que passe pelo interior do assentamento, um postinho de saúde para as crianças e até hoje nada'', reclama Silva.
Embora boa parte das reivindicações seja da alçada do poder municipal, o casal não esconde a indignação dos ''candidatos oportunistas''. O pior, explica Francisco, vem depois das eleições. ''Eles (eleitos) somem de vez e quando vamos procurá-los chegam a se esconder de nós.''

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