A Delegacia da Polícia Federal de Foz do Iguaçu está investigando uma denúncia feita pelo casal José Junqueira Brites, 52 anos, e Cleusi de Fátima Antunes, 38 anos, que acusa o prefeito de Itaipulândia (75 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu) Miguel Bayerle (PMDB), de ter cometido várias irregularidades durante a campanha eleitoral de 1996. O casal afirma que após as denúncias passou a receber ameaças de morte por parte de assessores do prefeito.
De acordo com o casal, na campanha eleitoral, o grupo político de Bayerle teria arregimentado votos de pessoas que moram no Paraguai e em outras partes do Estado e promovido a emissão de títulos de eleitores falsos com auxílio da Delegacia do Ministério do Trabalho.
Segundo o casal, o prefeito também teria oferecido um terreno à juíza eleitoral Simone Cheren Fabrício de Melo, em troca de favorecimento nas eleições e apoio nas irregularidades. Brites e Cleusi também denunciaram que nomes de pessoas já falecidas apareceram na lista de votantes do município nas eleições de 1996.
O casal fez a denúncia à PF e ao Ministério Público Estadual solicitando a instauração de inquéritos distintos para a apuração da ‘‘compra de votos’’ e fraude nas votações.
Brites afirmou que o prefeito teria oferecido um cargo de secretário municipal para ele e um terreno para que não denunciassem o que sabia. ‘‘Até a cesta básica que recebíamos todos os meses foi suspensa depois da denúncia. Estamos desempregados e nossos filhos estão passando necessidade’’, afirmou Cleusi.
O casal afirma ainda que o secretário de Saúde de Itaipulândia, Sérgio Bife e outros assessores do prefeito teriam tentando subornar Arnoldo Farias de Lima, uma das principais testemunhas das irregularidades.
De acordo com Brites, o casal já sofreu várias ameaças de morte e que uma noite quando ele saiu para comprar remédios para um de seus filhos, foi abordado por um homem que estava em um carro oficial da prefeitura e atacado pelo motorista. ‘‘Ele disse que se eu não parasse com as denúncias, iria me matar. Depois, pegou uma faca e tentou me esfaquear’’, contou. Brites afirmou que para tentar se defender sacou um revólver e disparou três tiros contra o homem que foi atingido na orelha. Ele está respondendo processo por tentativa de homicídio.
Além disso, o casal também afirma ser perseguido por um veículo Gol, de cor branca e sem placas, que estaria seguindo a família deles. Segundo Cleusi, um dos ocupantes do carro disse para a filha deles, de 15 anos, que ‘‘os dias do casal estavam contados’’.

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