Casal dá exemplo de cidadania em Londrina
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sábado, 02 de outubro de 2004
Fernanda Bressan<br>Reportagem Local 
Hoje as pessoas boas não entram na política, só tem aventureiro. Mesmo pensando assim, Hugo Subidio Marçal, 92 anos, e a esposa Iluina Pompeu Marçal, 87 anos, fazem questão de participar das eleições e cumprir com o direito de escolher os futuros representantes da cidade por meio do voto. Em Londrina desde 1946, Marçal recorda com saudades dos primeiros prefeitos. Entre seus preferidos estão José Hosken de Novaes e Milton Menezes.
Até a última quinta-feira, ele ainda não havia decidido seu voto para prefeito e diz que a dificuldade é que hoje os políticos cuidam dos outros para ficar com tudo para eles. Meu voto é consciente, frisa. Ele avisa que em pelo menos dois dos oito candidatos a prefeito de Londrina ele não vota de jeito nenhum. O voto de Marçal representa 32, pois a maioria da família segue a opinião do patriarca. Com 70 anos de casados, eles 21 filhos, 26 netos e 18 bisnetos. Comecei a votar aos 12 anos e voto até hoje porque a nossa política está desmoronando, argumenta. Para vereador, a família responde em coro o nome do candidato, um jovem pleiteante que ainda não ocupou uma cadeira da Câmara Municipal.
Para Marçal, os eleitores precisam ter consciência porque o voto representa também o futuro de nossos filhos e netos. Política só é boa na época das eleições, depois ninguém aparece mais, critica. O voto tinha que ser livre mas o brasileiro precisaria entender a importância dele e participar, ensina.
Marçal não está satisfeito com a política atual e diz que Londrina merecia coisa melhor. Bom era antigamente, a cidade tem sofrido nos últimos anos, relata. Dona Iluina diz que sempre vota estimulada pelo marido. Cada vez que tem eleição eu voto e ele fica falando o tempo todo, conta.
Hoje, a família vai se reunir para votar na Biblioteca Central. De acordo com a lei, pessoas com mais de 70 anos não são obrigadas a votar, sendo facultativa a participação nas eleições.


