Casa de Paolicchi era palco de festas para autoridades
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terça-feira, 13 de março de 2001
Dimitri do Valle De São Pedro do Paraná 
A casa que o ex-secretário da Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi manteve durante quatro anos num condomínio fechado no município de São Pedro do Paraná, às margens do Rio Paraná, na divisa com Mato Grosso do Sul,
foi palco de muitas festas, inclusive com a presença de autoridades. Nunca se viu tanto carro preto junto, disse um morador do condomínio - que pediu para não ser identificado - numa referência aos carros oficiais que levaram autoridades a uma das festas Paolicchi, em 1998. Um empregado do condomínio contou que a casa era frequentada por muitas mulheres bonitas.
O ex-secretário disse à Justiça que se desfez da casa em 1999 porque passou a ser muito procurado para emprestar o imóvel como local de festas. As pessoas começaram a pedir demais. Eu mesmo era dono da casa e não usufruía. Tinha gente que nem olhava na minha cara, achando que eu tinha dado festa na minha casa e não tinha convidado as pessoas, declarou o ex-secretário ao juiz federal Anderson Furlan Freire da Silva.
O ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto foi visto na casa de Paolicchi pelo menos uma vez. O sucessor de Paolicchi na Secretaria da Fazenda, Jorge Sossai, que também está sendo processado pelos desvios, também possui uma casa no condomínio fechado.
No mercado imobiliário, o imóvel é avaliado hoje em cerca de R$ 150 mil. Em seu primeiro depoimento à Justiça Federal, Paolicchi falou sobre a residência, uma construção de dois andares com sauna e piscina nos fundos do terreno. Uma fonte e quatro balaustres colocados nas bordas dão um toque personalizado à piscina. A casa foi construída em 1995.
Durante a construção, o ex-secretário chegou a fazer mudanças no projeto, por não gostar de detalhes. Ele não teria ficado satisfeito com a fachada, que encurtava o espaço interno. Mandou refazer a parte frontal da residência e conseguiu aumentá-la em 1,50 metro de comprimento. Paolicchi mantinha um caseiro com uma caminhonete para tomar conta do imóvel. O ex-secretário chegou a usar o seu jatinho para mostrar a residência a amigos.
Paolicchi está preso desde 7 de dezembro do ano passado. Ele é acusado de ser um dos envolvidos no desvio de R$ 54 milhões da Prefeitura de Maringá na gestão do ex-prefeito Jairo Gianoto, que também é acusado de ser um dos beneficiários do esquema.
O valor total do patrimônio de Paolicchi pode chegar a R$ 15 milhões. O ex-secretário possui fazendas no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de um apartamento de luxo em Maringá, outro em Balneário Camboriú, carros importados e uma empresa de água mineral. Todos os seus bens foram bloqueados pela Justiça Federal.
De acordo com o procurador da República, Natalício Claro da Silva, a evolução patrimonial de Paolicchi não condizia com o seu salário de aproximadamente R$ 3 mil como servidor da Prefeitura. O ex-secretário foi admitido no departamento de contabilidade do município em 1981. A desproporção entre o salário e os bens do ex-secretário acabaram levando à descoberta dos desvios.
No depoimento que prestou à Justiça Federal, Paolicchi afirmou que seu patrimônio cresceu na medida em que prestava consultoria técnica para prefeituras interessadas em instalar sistemas informatizados de contabilidade pública. Em 1983, a Prefeitura de Maringá foi a primeira do País a criar um controle informatizado de suas contas. Paolicchi disse que trabalhava nos finais de semana para a empresa Nexo Informática, que segundo ele, seria a responsável pela implantação do sistema em Maringá.
(colaborou Vânia Moreira, de Umuarama)


