Brasília - A Mesa Diretora do Senado autorizou ontem por unanimidade a abertura do terceiro processo por quebra de decoro contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), desta vez para investigar a suposta compra de rádios em Alagoas, por meio de laranjas, com dinheiro de origem ignorada.
A representação foi apresentada pelo PSDB e pelo DEM. Essa denúncia é considerada na Casa a mais contundente contra Renan. O Conselho de Ética também investiga se ele teve despesas pessoais pagas por um lobista da Mendes Júnior e se favoreceu a cervejaria Schincariol.
A primeira representação (das despesas que teriam sido pagas por um lobista) foi aprovada pela Mesa por unanimidade, e a segunda (caso Schincariol), por 5 votos a 2. Tião Viana (PT-AC) e Papaléo Paes (PSDB-AP) votaram contra.
Subordinado a Renan, o advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, questionou a isenção dos senadores da oposição para votar na Mesa Diretora, já que são autores da representação. Aliados de Renan podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) usando esse argumento: ''É oportuno que se suscite aqui a dúvida relativa ao impedimento absoluto dos eminentes senadores do Democratas e do PSDB, que compõem a Mesa do Senado, de atuarem na apreciação da presente representação'', disse.
Cascais recomendou o arquivamento da representação alegando que ela é baseada somente em matérias jornalísticas e não apresenta provas contra Renan.
Os argumentos do advogado-geral não foram levados em consideração. ''Fomos eleitos para a Mesa para representar a Casa e não os partidos'', disse o segundo vice-presidente do Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), que conduziu a reunião.

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