Brasília - O ministro petista Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) minimizou ontem o envolvimento do ministro Manoel Dias (Trabalho) com acusações de fraude em licitação e desvio de recursos públicos centrados em contratos do Ministério do Trabalho com a ONG Instituto Mundial de Desenvolvimento e Cidadania (IMDC).
As denúncias causaram a demissão do secretário-executivo da pasta, Paulo Roberto Pinto, suspeito de ligação com o esquema. No total, os contratos ativos do ministério somam R$ 836,7 milhões, segundo a pasta. Destes, R$ 658,3 milhões foram firmados com entes da federação e R$ 178,4 milhões diretamente com ONGs e universidades.
Carvalho disse que "sinceramente, quem conhece o Manoel Dias sabe da seriedade dele, sabe da história dele". "Eu sinceramente não posso acreditar que haja qualquer problema com o ministro. Boa parte dos convênios que estão no Ministério do Trabalho inclusive não são da época dele. Ele tem sido uma pessoa que tomou as providências necessárias, que foi a suspensão dos convênios para análise", completou o ministro.
O Palácio do Planalto avalia, por ora, que as ações tomadas pela pasta do Trabalho foram suficientes para minimizar a situação, mas não nega que a situação de Dias é frágil.
No último sábado, o ministério anunciou que suspenderia por 30 dias os pagamentos de todos os 408 convênios ativos da pasta até que seja analisada a situação de cada um dos contratos. Os convênios cujos repasses não tenham sido iniciados serão automaticamente cancelados e a pasta não mais firmará contratos com ONGs.
Carvalho respondeu ainda a reportagem que mostra que uma das entidades envolvidas nas investigações da Polícia Federal no Ministério do Trabalho buscou apoio do chefe da Secretaria-Geral com o intuito de conseguir novos repasses.
"Inclusive os jornais falam do apoio que eu dei para uma entidade, nessas coisas você tem de um lado que confiar na boa vontade e na generosidade e na boa intenção das pessoas. Até porque a imensa maioria das entidades no país são entidades que organizam a generosidade, são entidades que fazem o bem", disse o ministro.

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