O chefe do Gabinete Pessoal de Lula, Gilberto Carvalho, será acareado hoje na CPI com os irmãos de Daniel, o médico oftalmologista João Francisco Daniel e o professor universitário Bruno Daniel. Francisco e Bruno Daniel afirmam que, no dia da missa de sétimo dia do prefeito, em janeiro de 2002, ouviram Carvalho afirmar que o crime tinha relação com o esquema de corrupção existente em Santo André para abastecer o caixa dois da agremiação, e que caberia a ele próprio carregar no Corsa preto o dinheiro da extorsão para, em seguida, entregá-lo ao então presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP).
O chefe do Gabinete negou o fato quando depôs na CPI, em sessão sigilosa. A sessão de hoje será aberta. O vice-líder do PT no Senado, senador Tião Viana (AC), disse que na conversa, por telefone, que teve anteontem à noite com Carvalho, este lhe assegurou que não tomará nenhuma iniciativa para fechar a sessão do confronto. Parlamentares petistas dizem que o chefe do Gabinete tem uma carta na manga, um fator surpresa para exibir no enfrentamento. Mas não adiantam o que se trata.
Rocha Mattos apontou o ''desaparecimento'' das fitas como o principal motivo da prisão preventiva dele, em outro processo além do que responde na Operação Anaconda, por venda de sentenças judiciais. Mas existem cópias. Na 4 Vara mesmo, estão lá as 42 fitas. Todas elas foram requisitadas pela CPI dos Bingos. ''Se elas contiveram, realmente, o que disse o juiz, será um passo muito importante para resolvermos a questão de Santo André'', disse o relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Mattos afirmou que a legalidade das fitas foi questionada, uma vez que foram grampeadas por intermédio de ''um desvio de finalidade''. Chamou assim o fato de o juiz que autorizou a escuta ter feito um acordo com a Polícia Federal (PF) para ''grampear'' funcionários públicos municipais de Santo André - como Carvalho, o empresário Sérgio Gomes de Oliveira, conhecido como Sombra, o então secretário de Serviços Municipais e ex-vereador, Klinger Luiz Oliveira, e o empresário com quem mantinham negócios, Ronan Maria Pinto - como envolvidos no tráfico de drogas e não em crime político.
No depoimento, o juiz apontou, além dos petistas, duas pessoas interessadas no ''sumiço'' das fitas: o advogado de Souza, o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, e o chefe da segurança da última e das três anteriores campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a presidente, Francisco Baltazar, depois nomeado superintendente da PF em São Paulo.
O senador Romeu Tuma (PFL-SP) afirmou ontem que o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) pode ter ''sérios problemas'' com a Justiça caso se comprove as denúncias feitas contra ele por Rocha Mattos. ''Mais do que sofrer processo por quebra de decoro parlamentar e correr o risco de perder seu mandato, o deputado Greenhalgh corre o risco de sofrer as consequências dos seus atos na Justiça. Fazer uma montagem para evitar uma investigação é crime'', afirmou.

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