Agência Folha
De Brasília
O novo ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, assumiu ontem o cargo prometendo ‘‘acelerar o passo’’ do projeto de retomada do crescimento econômico sem entrar em conflito com as metas do ajuste fiscal. ‘‘Temos pressa’’, repetiu o ministro várias vezes durante a solenidade. No discurso de posse, Carvalho deu igual importância à estabilidade e ao crescimento econômico. Sobre seu relacionamento com Pedro Malan, garantiu: ‘‘Está tudo azul, estamos cheios de amor para dar’’.
Carvalho não anunciou novas medidas que poderiam marcar a diferença em relação aos primeiros seis meses e meio de vida do ministério criado como carro-chefe do segundo mandato de FHC.
Mas o ministro insistiu em que perseguirá a meta de aumentar as exportações brasileiras até a marca de US$ 100 bilhões em 2002 - a principal missão que FHC lhe deu. ‘‘É uma convocação para valer, é um desafio nacional’’, discursou. Na véspera, Carvalho disse que o prazo era ‘‘apertado’’ para cumprir a meta. ‘‘É fácil? De forma alguma. É ambiciosa, é difícil, mas é possível, sem a menor dúvida’’, afirmou, sobre a polêmica meta fixada no programa de governo de FHC durante a última campanha ao Planalto.
Apesar do comportamento tímido das exportações depois da desvalorização do real, Carvalho enxerga uma recuperação das vendas externas. Ele não não disse como o governo pretende tirar do papel a meta das exportações. ‘‘Não há receita específica’’, respondeu.
A receita de Carvalho foi apresentada em linhas gerais no seu discurso de posse, aplaudido por políticos, empresários e colegas de ministério. Embora negasse que faltem linhas de financiamento, o ministro defendeu uma política ‘‘agressiva’’ de promoção de investimentos e novas iniciativas para reduzir os custos de investimentos no país. Disse que trabalhará para ver aprovada uma reforma tributária ainda neste ano e defendeu a revisão da Lei das S/A.
Carvalho condenou o protecionismo e insistiu em que, para apoiar os esforços de reestruturação do sistema produtivo, ‘‘o governo não precisa distribuir subsídios nem escolher quem perde e quem ganha’’. Sobre a concessão de incentivos fiscais à futura fábrica da Ford na Bahia, Carvalho fez uma ressalva. Disse que o governo estimulará a instalação de indústrias em outras áreas ‘‘acima de São Paulo’’: ‘‘Precisamos enfrentar as desigualdades regionais’’.
Na solenidade de transmissão de cargo, Carvalho se esforçou para neutralizar adversários dentro do próprio ministério e da base política de apoio do governo. ‘‘Eu venho para somar. Por mais que alguns duvidem’’, discursou, prometendo trabalhar integrado aos ministérios da Agricultura e da Integração Nacional, este último ainda a ser oficialmente criado. O ministro atribuiu a uma visão distorcida a expectativa de que seria um ‘‘superministro’’. Mas sua proximidade com FHC foi apontada na solenidade por políticos e empresários como a principal chance de sucesso de Carvalho.
O ex-ministro Celso Lafer teve de pedir silêncio à platéia para poder concluir seu discurso de despedida. Em tom de mágoa, fez uma prestação de contas e elogios ao presidente e a seu sucessor.

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