Brasília - O chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse ontem estar ''tranquilo'' para enfrentar os irmãos do prefeito assassinato de Santo André Celso Daniel, no próximo dia 26, numa acareação programada pela CPI dos Bingos. ''Não tem esse negócio de chorão, não'', afirmou, descontraído e sereno. ''Estou tranquilo e de coração aberto.''
Em rápida entrevista no Itamaraty, onde participou da abertura do Seminário Internacional do Bolsa Família, Carvalho deixou claro que não vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o direito de não comparecer à comissão instalada no Senado. ''Eu vou, pois fui convocado'', afirmou. Depois, gesticulou com a cabeça para reafirmar que não pretende mesmo entrar com recurso na Justiça. A uma pergunta se iria como chefe de gabinete à sessão da CPI dos Bingos, Carvalho respondeu que ''isso é com o presidente''.
Na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ministros mais influentes do governo, a CPI dos Bingos - apelidada por eles de CPI do Fim do Mundo - convocou Gilberto Carvalho apenas para atacar a figura presidencial. Carvalho é acusado pelos irmãos de Celso Daniel de participar de um suposto esquema de desvio de dinheiro da prefeitura de Santo André, antes de Lula chegar ao poder. Carvalho sempre negou de forma veemente a acusação.
Em entrevista na terça-feira, o ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, relatou que setores do governo cogitaram a idéia de entrar com recurso no STF para exigir que a CPI dos Bingos limitasse as investigações ao esquema de irregularidades das casas de jogos. Desde o início do governo, Gilberto Carvalho é a figura mais discreta do seleto grupo de pessoas próximas a Lula. Os dois se conhecem desde os tempos de sindicalismo, no ABC, nos anos 1970. Carvalho tem bom trânsito com o corpo administrativo do Planalto e com os ministros. Ele é o responsável pela agenda do presidente, que inclui viagens, audiências e reuniões.

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