Carvalho deixa pasta do Trabalho
O empresário curitibano José Carlos Gomes Carvalho, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e do Serviço de Apoio à Pequena e Microempresa (Sebrae/PR), anunciou ontem sua saída do primeiro escalão do governador Jaime Lerner (PFL). Carvalho pediu exoneração da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, que comandava há 14 meses.
Ontem, durante entrevista coletiva, o ex-secretário garantiu que sua decisão não foi motivada pela reforma administrativa que o governador promete anunciar. Entretanto, nos bastidores, corre a informação que sua saída foi encomendada, para permitir ao governador que proceda à incorporação da pasta a outra secretaria.
Carvalhinho (filiado ao PFL) disse que vai disputar a presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e negou que tenha pretensões de disputar cargos eletivos, apesar de reconhecer que está sendo sondado por diversos partidos (entre eles o PSC, do recém-filiado Giovani Gionédis, ex-secretário da Fazenda).
Ao ser questionado sobre a possibilidade de sua saída estar relacionada à reforma, o ex-secretário rebateu com indignação: Olha para mim. Não me antecipo a nada. O governador Jaime Lerner disse que se eu quisesse, ficaria até o final do mandato. Segundo ele, a pasta do Trabalho é estratégica e imprescíndivel e não pode ser extinta. Segundos fontes próximas, o governador avalia fusões.
O diretor-geral da Secretaria, Newton Grein, assume interinamente a pasta. A assessoria do governador informa que ele pode anunciar o nome do sucessor de Carvalho na próxima semana.
Ao transferir o cargo para Grein, o ex-secretário fez um balanço. Revelou que o orçamento saltou de R$ 9 milhões para R$ 35 milhões/ano (recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador/FAT). No ano passado, foram qualificados 200 mil trabalhadores com recursos do Fundo. A previsão para este ano, segundo o ex-secretário, é atingir 300 mil.
Carvalhinho foi convidado para compor o secretariado pelo governador e pela primeira-dama e secretária da Criança, Fani Lerner que acumulava a pasta do Trabalho depois da saída de Alex Canziani (PSDB). O tucano, ex-vice-prefeito de Londrina, assumiu uma vaga na Câmara Federal.
O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, preferiu não comentar a reforma administrativa. Disse que o assunto está restrito ao governador, que faz questão de tocar as mudanças ele mesmo. Ele vai anunciar as mudanças no momento oportuno e não quer que façam pressão.
Quando tiver uma definição, o governador pretende se reunir com deputados e prefeitos aliados. Hoje existem 22 secretarias, além de seis assessorias especiais que têm status de primeiro escalão. A medida vai contribuir para o corte de despesas do Estado.
O governador já promoveu mudanças na máquina administrativa. Foi extinta a Secretaria de Esporte e Turismo, além de 770 cargos em comissão e corte de 10% nos salários de cargos comissionados. Também foi adotado turno único e férias coletivas de 11 dias em janeiro, que renderam economia de R$ 2 milhões por mês.





