O presidente do diretório estadual do PFL, José Carlos Gomes de Carvalho, Carvalhinho, foi nomeado ontem coordenador geral da campanha do presidente Fernando Henrique no Paraná. Ele disse acreditar que uma das razões que pesou em sua indicação, feita por Euclides Scalco, foi ‘‘não ter arestas com facções’’. ‘‘Embora eu seja presidente do PFL, tenho um bom relacionamento com todos os partidos’’, garantiu.
‘‘Aliás, não pedi para ser coordenador. Fui escolhido’’, emendou. Ele prometeu ‘‘fazer o melhor pela coordenação da campanha de FHC, dentro dos padrões éticos’’. De acordo com Carvalhinho, o Paraná foi um dos estados em que Fernando Henrique teve mais votos em 94. A expectativa do pefelista é manter ou ampliar a votação este ano.
A tarefa de Carvalhinho não promete ser das mais fáceis. No Estado, existem divergências até mesmo entre os partidos que compõem a coligação nacional PSDB-PFL. O governador Jaime Lerner (PFL), candidato à reeleição, e o ex-governador Álvaro Dias (PSDB), candidato ao Senado, disputam as atenções de Fernando Henrique e, na briga pelo palanque presidencial, a visita de FHC ao Paraná, no dia 7 de agosto, acabou suspensa. ‘‘Não tem problema insolúvel. Encontraremos um caminho que atenda as partes para que sejam cumpridos os acordos pré-estabelecidos’’, afirmou o dirigente, numa referência ao que ficou conhecido por ‘‘acordo branco’’.
Para Carvalhinho, a única coisa difícil de contornar é a morte. ‘‘E isso eu consegui há 90 dias’’, afirmou, lembrando do infarto do miocárdio sofrido em Madri, na Espanha. O dirigente admite, portanto, que ‘‘há tudo por fazer para a campanha presidencial no Estado’’. ‘‘Faz meia hora que acabei de ser confirmado e ainda preciso traçar as estratégias, mas é preciso abrir escritório, pôr a campanha na rua, ou seja, está tudo por fazer, mas faremos bem, se Deus quiser’’, disse à Folha, às 18h30.
O PSDB não gostou da nomeação de Carvalhinho. O senador Osmar Dias não quis comentar ontem o convite feito pelo coordenador geral Euclides Scalco. ‘‘É um absurdo. Estamos indo para Brasília amanhã (hoje) para resolver este problema. Não acredito que o Scalco iria se adiantar desta forma’’, observou. Osmar disse que recebeu telefonema de Carvalhinho ontem, mas o senador preferiu não revelar o conteúdo da conversa.
Por volta das 14 horas, o senador revelou que sugeriu o nome do ex-governador Jaime Canet (PPB) para a função de gerenciar as diferenças entre as duas siglas. ‘‘Só ele (Canet) é que está acima dos partidos. Mas infelizmente não aceitou a tarefa’’, explicou. O senador disse que diante da recusa, o PSDB do Paraná passou a defender a designação de dois coordenadores para a campanha do presidente Fernando Henrique: um do PFL e outro do PSDB, que, no caso, indicaria o próprio Osmar.
O candidato ao Senado, Álvaro Dias, concorda com a tese do irmão e disse que vai levar a sugestão ao presidente. ‘‘A palavra final é dele’’, assinalou. Álvaro não quis fazer críticas abertas a Scalco, mas deu a entender que o tratamento dado ao PFL do Paraná é preferencial. Osmar Dias foi mais incisivo e disse que a coordenação está direcionando os trabalhos. ‘‘O Scalco tem suas preferências’’, afirmou. (Colaborou Leandro Donatti)Arquivo FolhaOtimismoCarvalhinho: ‘Não existe problema insolúvel. Encontraremos um caminho’Patrícia Zanin

mockup