Leandro Donatti
De Curitiba
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, é o novo secretário do Emprego e Relações do Trabalho. O anúncio oficial nomeando-o para a função foi feito ontem à tarde pelo próprio empresário, em Curitiba, numa coletiva organizada no Palácio Iguaçu. Carvalhinho, que ainda não tem data definida para tomar posse, aceitou o convite do governador Jaime Lerner (PFL), na noite de anteontem.
Empresário bem-sucedido, Carvalhinho renunciou ao salário de R$ 6 mil, pago pelos cofres públicos aos secretários de Estado. Entregou ao chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, ontem, uma declaração reconhecida em cartório abrindo mão do pagamento, em favor da Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas (HC). ‘‘Não preciso disso. Tenho 65 anos e as minhas empresas vão muito bem, obrigado’’, assinalou. Além de presidente da Fiep, Carvalhinho responde pelo comando geral do Sebrae-PR e pela vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O novo secretário do Trabalho vai manter na pasta o diretor geral Newton Grein, ‘‘xodó’’ da secretária da Criança e Assuntos da Família e primeira-dama Fani Lerner, que inclusive já tentou emplacar Grein como secretário. Carvalhinho disse que vai chamar a equipe do ex-secretário do Trabalho Pedro Granado, antecessor de Alex Canziani – o último detentor do cargo – para compor seu gabinete. ‘‘Eu indiquei o Granado aquela vez. Todas as pessoas que estavam com ele voltarão pela competência.’’
Ex-presidente do diretório regional do PFL, Carvalhinho disse que esse não foi o primeiro convite feito por Lerner para assumir um cargo no governo. ‘‘Fui convidado para assumir a Indústria e o Comércio e a presidência do Banestado. Aceitei a Secretaria do Trabalho porque tem tudo a ver com o papel que desempenho atualmente. Tenho um excelente relacionamento com a classe patronal e com os trabalhadores. Sou amigo do Vicentinho, do Sérgio Butka...’’, enumerou para os jornalistas.
Carvalhinho disse que assume a nova função sem pensar em carreira política. ‘‘Não tenho projeto eleitoral. Se eu tivesse sido candidato a deputado federal, estaria eleito. Estamos a três anos das eleições. E o meu projeto agora é com o governador Jaime Lerner’’, afirmou o secretário, sem descartar, no entanto, a possibilidade de novamente candidatar-se ao Senado em 2002. Carvalhinho concorreu em 1994 ao cargo e não se elegeu.
A indicação de Carvalhinho foi elogiada. ‘‘Não tenho a menor dúvida de que ele vai fazer um grande trabalho’’, afirmou o ex-secretário e deputado federal Alex Canziani (PSDB). Para o prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL), ‘‘o Paraná ganha’’ com a nomeação. O prefeito de Pato Branco, Alceni Guerra (PFL), disse que a escolha de Carvalhinho ‘‘é fantástica’’. Mas lamentou o fato de seu irmão, deputado federal Ivânio Guerra (PFL), não ter sido o escolhido. ‘‘Nós não conseguimos convencer o Ivânio a entrar no páreo, infelizmente’’. Segundo o prefeito, o Sudoeste do Estado tem apenas um representante no primeiro escalão do governo do Estado: o secretário de Agricultura, Antônio Polloni. (Colaborou Patrícia Zanin)

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