Brasília - ''Tudo o que puder ser transmitido em uma frase não deve ser dito em duas.'' Essa e outras normas de uso da língua formam as 420 páginas de uma manual de redação lançado ontem pela Câmara dos Deputados. Com o objetivo de padronizar e tornar mais claro os textos produzidos pelo Legislativo, o manual trata, entre outras coisas, do discurso parlamentar.
''Em nome do bom-senso, é importante que, mesmo respeitadas as características próprias de cada orador ou redator, o discurso parlamentar se paute pelas regras de estilo da redação oficial'', diz o manual.
Dividido em três partes, o impresso traz normas sobre a redação oficial, regras gramaticais, modelos para redação de requerimentos e as tradicionais dicas dos manuais de redação sobre erros frequentes, como a diferenciação entre mau (antônimo de bom) e mal (antônimo de bem).
''Não há dúvida de que, para que esta Casa atinja sua finalidade junto à população que aqui está representada, e para que torne cada vez mais transparente os seus atos, é fundamental que estes não pequem pelo hermetismo ou pela dubiedade que muitas vezes caracterizam a redação oficial'', diz a apresentação do manual.
Uma preocupação recorrente da publicação é com a clareza, como mostra o seguinte trecho na página 34: ''Deve-se, no texto, dar preferência a palavras e expressões simples, em seu sentido comum: atual é sempre melhor que hodierno; gélido é preferível a álgido; convém usar afável em vez de lhano; abraço em lugar de amplexo''.
Foram impressos 5 mil exemplares ao custo de R$ 52 mil, segundo informou a Câmara. O manual lançado ontem pode ser consultado em sua íntegra na página da Câmara na internet (www.camara.gov.br).

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