Curitiba - O governo do Estado retomou os ataques contra as concessionárias que exploram o pedágio nas estradas paranaenses. Ontem, o governo divulgou uma cartilha entitulada ''Pedágio Proposta de uma Tarifa Justa'' citando irregularidades nas contas das concessionárias que resultariam num índice de redução das tarifas que varia de 21% a 62%, de acordo com a empresa avaliada.
A cartilha de oito páginas relata o processo de concessão das rodovias desde 1996, quando iniciou-se a concorrência para a administração de 2.035 km de estradas paranaenses. A maior parte dos textos critica o modelo estabelecido pelo ex-governador Jaime Lerner (PSB), alegando que os contratos foram benéficos demais para as concessionárias.
Além de cláusulas contratuais que teoricamente dariam uma margem maior de lucro às concessionárias, o governo também critica Lerner por ter reduzido em 50% o preço das tarifas em 1998, ano em que o ex-governador conseguiu a reeleição. Posteriormente, o ajuste foi restabelecido, e as concessionárias ficaram desobrigadas de realizar alguns investimentos nas estradas, gerando os chamados ''degraus tarifários''.
A cartilha também ataca as concessionárias, acusando-as de irregularidades em suas contabilidades. Sem nominar qual empresa seria responsável por cada uma das denúncias, o governo afirma que foram emitidas notas fiscais frias, lançamentos errôneos na contabilidade visando aumentar o valor supostamente gasto pelas empresas e a contratação de empresas vinculadas aos acionistas das concessionárias para a realização de obras nos trechos das concessões.
O governo incluiu no final da cartilha duas tabelas com preços alternativos para os pedágios: um levando-se em conta o saneamento das irregularidades encontradas pelo governo na auditoria realizada no ano passado e outro desconsiderando as irregularidades e se atendo apenas à revisão dos contratos. Atualmente uma comissão nomeada pelo governo analisa a defesa das concessionárias das acusações.
O presidente regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, classificou a cartilha do governo como um ''amontoado de inverdades''. ''Na nossa visão, essa é uma estratégia do governo para desviar a atenção pública dos incidentes no Porto de Paranaguá. Estão usando o pedágio com fins políticos e eleitorais. Em vez de gastar tantos recursos com publicidade, o governo deveria investir na malha rodoviária não pedagiada, que está lastimável'', afirmou Chiminazzo.
Chiminazzo criticou o fato do governo ter publicado a tabela levando em conta as irregularidades apontadas na auditoria. ''Se a comissão aina não chegou a uma conclusão, como eles podem já publicar até o preço que devia ser cobrado?'', questionou Chiminazzo. As concessionárias entraram com uma ação contra a comissão, acusando os integrantes da mesma de terem vínculos com o governador Roberto Requião (PMDB).

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